Ano 2009

Sobre o tema

A política externa brasileira no século XX caracterizou-se por uma busca constante de autonomia e pragmatismo, refletindo a capacidade do país de definir sua própria agenda internacional apesar das pressões externas. Desde o Império até a República, elites políticas e intelectuais debateram o papel do Brasil no mundo, engendrando conceitos próprios e estratégias de inserção que equilibravam interesses nacionais com as realidades do sistema internacional. O texto de José Flávio Sombra Saraiva ressalta a continuidade desse esforço, destacando como o Brasil colheu frutos de sua diplomacia de longo prazo. A autonomia decisória, mesmo diante de constrangimentos, foi um traço marcante, consolidando o país como ator responsável e previsível. Esse contexto é fundamental para entender as escolhas brasileiras e sua relevância no cenário global.

Tópicos relacionados

  • Autonomia decisória na política externa brasileira
  • Pragmatismo externo e continuidade histórica
  • Inserção internacional do Brasil no século XX
  • Elites e debates sobre o destino do Brasil
  • Conceitos próprios de diplomacia brasileira

Enunciado

Colhe o Brasil, após esforço contínuo dilatado no tempo, o que plantou no esforço da construção de sua inserção internacional. Há dois séculos formularam-se os pilares da política externa. Teve o país inteligência de longo prazo e cálculo de oportunidade no mundo difuso da transição da hegemonia britânica para o século americano. Engendrou concepções, conceitos e teoria própria no século XIX, de José Bonifácio ao Visconde do Rio Branco. Buscou autonomia decisória no século XX. As elites se interessaram, por meio de calorosos debates, pelo destino do Brasil. O país emergiu, de Vargas aos militares, como ator responsável e previsível nas ações externas do Estado. A mudança de regime político para a democracia não alterou o pragmatismo externo, mas o aperfeiçoou.

SARAIVA, J. F. S. O lugar do Brasil e o silêncio do parlamento. Correio Braziliense, Brasília,
28 maio 2009 (adaptado).

Sob o ponto de vista da política externa brasileira no século XX, conclui-se que

Alternativas

  • A)

    O Brasil é um país periférico na ordem mundial, devido às diferentes conjunturas de inserção internacional.

  • B)

    As possibilidades de fazer prevalecer ideias e conceitos próprios, no que tange aos temas do comércio internacional e dos países em desenvolvimento, são mínimas.

  • C)

    As brechas do sistema internacional não foram bem aproveitadas para avançar posições voltadas para a criação de uma área de cooperação e associação integrada a seu entorno geográfico.

  • D)

    Os grandes debates nacionais acerca da inserção internacional do Brasil foram embasados pelas elites do Império e da República por meio de consultas aos diversos setores da população.

  • E)

    A atuação do Brasil em termos de política externa evidencia que o país tem capacidade decisória própria, mesmo diante dos constrangimentos internacionais.

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Perguntas frequentes

O que caracteriza a autonomia na política externa brasileira?

A autonomia na política externa brasileira refere-se à capacidade do país de tomar decisões independentes, baseadas em seus interesses nacionais, mesmo em um sistema internacional com grandes potências.

Como o pragmatismo influenciou a atuação internacional do Brasil?

O pragmatismo permitiu ao Brasil adaptar sua política externa às circunstâncias, mantendo coerência com objetivos de longo prazo, como o desenvolvimento e a inserção soberana.

Qual foi o papel das elites na formulação da política externa brasileira?

As elites políticas e intelectuais brasileiras, do Império à República, protagonizaram debates que moldaram conceitos e estratégias, como a busca por autonomia e a aproximação com a América do Sul.