Sobre o tema
A política externa brasileira no século XX caracterizou-se por uma busca constante de autonomia e pragmatismo, mesmo diante de constrangimentos impostos pelo sistema internacional. Desde o Império, com figuras como José Bonifácio e o Visconde do Rio Branco, o Brasil desenvolveu concepções próprias para sua inserção global, consolidando-se como ator responsável e previsível. O texto de Saraiva destaca a continuidade desse pragmatismo, que se aperfeiçoou com a redemocratização, sem alterar a capacidade decisória do país. Essa trajetória evidencia que o Brasil soube aproveitar brechas do sistema para avançar seus interesses, especialmente na criação de áreas de cooperação regional e na defesa de temas como desenvolvimento e comércio internacional.
Tópicos relacionados
- Autonomia decisória na política externa brasileira
- Pragmatismo na diplomacia brasileira
- Inserção internacional do Brasil no século XX
- Elites e formulação da política externa
- Continuidade da política externa após redemocratização
Enunciado
Colhe o Brasil, após esforço contínuo dilatado no tempo, o que plantou no esforço da construção de sua inserção internacional. Há dois séculos formularam-se os pilares da política externa. Teve o país inteligência de longo prazo e cálculo de oportunidade no mundo difuso da transição da hegemonia britânica para o século americano. Engendrou concepções, conceitos e teoria própria no século XIX, de José Bonifácio ao Visconde do Rio Branco. Buscou autonomia decisória no século XX. As elites se interessaram, por meio de calorosos debates, pelo destino do Brasil. O país emergiu, de Vargas aos militares, como ator responsável e previsível nas ações externas do Estado. A mudança de regime político para a democracia não alterou o pragmatismo externo, mas o aperfeiçoou.
SARAIVA, J. F. S. O lugar do Brasil e o silêncio do parlamento. Correio Braziliense, Brasília,
28 maio 2009 (adaptado).
Sob o ponto de vista da política externa brasileira no século XX, conclui-se que
Alternativas
- A)
O Brasil é um país periférico na ordem mundial, devido às diferentes conjunturas de inserção internacional.
- B)
As possibilidades de fazer prevalecer ideias e conceitos próprios, no que tange aos temas do comércio internacional e dos países em desenvolvimento, são mínimas.
- C)
As brechas do sistema internacional não foram bem aproveitadas para avançar posições voltadas para a criação de uma área de cooperação e associação integrada a seu entorno geográfico.
- D)
Os grandes debates nacionais acerca da inserção internacional do Brasil foram embasados pelas elites do Império e da República por meio de consultas aos diversos setores da população.
- E)
A atuação do Brasil em termos de política externa evidencia que o país tem capacidade decisória própria, mesmo diante dos constrangimentos internacionais.
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Perguntas frequentes
O que caracteriza o pragmatismo na política externa brasileira?
O pragmatismo na política externa brasileira refere-se à busca de resultados práticos e à adaptação às circunstâncias internacionais, sem rigidez ideológica. Isso permitiu ao Brasil manter coerência e previsibilidade, mesmo em diferentes regimes políticos.
Como o Brasil buscou autonomia decisória no século XX?
O Brasil buscou autonomia por meio de uma política externa independente, diversificando parcerias e defendendo interesses nacionais em fóruns multilaterais. Exemplos incluem a Política Externa Independente (1961-1964) e o pragmatismo responsável dos governos militares.
Qual o papel das elites na formulação da política externa brasileira?
As elites brasileiras, especialmente do Império e da República, protagonizaram debates sobre o destino do país e influenciaram a formulação da política externa. Contudo, esses debates nem sempre incluíram consultas amplas à população, concentrando-se em círculos restritos.
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