Ano 2009#ciencias-humanas

Sobre o tema

O trecho do romance 'Crônica da Casa Assassinada', de Lúcio Cardoso, retrata a decadência da aristocracia rural mineira no Brasil. A obra, publicada em 1959, insere-se no contexto do Modernismo brasileiro e aborda temas como a crise dos valores tradicionais, a ruína das oligarquias agrárias e a transformação social do país. A descrição da casa dos Meneses, com seus móveis antigos e objetos empoeirados, simboliza a desagregação política, social e econômica que marcou o fim do ciclo do café e a urbanização. A questão explora como o autor utiliza a ambientação para representar esse declínio histórico, exigindo do leitor a percepção de que a casa é um espaço arruinado, onde o passado ilustre ainda resiste, mas está prestes a desaparecer.

Tópicos relacionados

  • Decadência da aristocracia rural no Brasil
  • Modernismo brasileiro e crítica social
  • Simbolismo na literatura brasileira
  • Lúcio Cardoso e a literatura mineira
  • Análise de ambientação em romances

Enunciado

Como se assistisse à demonstração de um espetáculo mágico, ia revendo aquele ambiente tão característico de família, com seus pesados móveis de vinhático ou de jacarandá, de qualidade antiga, e que denunciavam um passado ilustre, gerações de Meneses talvez mais singelos e mais calmos; agora, uma espécie de desordem, de relaxamento, abastardava aquelas qualidades primaciais. Mesmo assim era fácil perceber o que haviam sido, esses nobres da roça, com seus cristais que brilhavam mansamente na sombra, suas pratas semi- empoeiradas que atestavam o esplendor esvanecido, seus marfins e suas opalinas – ah, respirava-se ali conforto, não havia dúvida, mas era apenas uma sobrevivência de coisas idas. Dir-se-ia, ante esse mundo que se ia desagregando, que um mal oculto o roía, como um tumor latente em suas entranhas.

CARDOSO, L. Crônica da casa assassinada. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002 (adaptado).

O mundo narrado nesse trecho do romance de Lúcio Cardoso, acerca da vida dos Meneses, família da aristocracia rural de Minas Gerais, apresenta não apenas a história da decadência dessa família, mas é, ainda, a representação literária de uma fase de desagregação política, social e econômica do país. O recurso expressivo que formula literariamente essa desagregação histórica é o de descrever a casa dos Meneses como

Alternativas

  • A)

    Ambiente de pobreza e privação, que carece de conforto mínimo para a sobrevivência da família.

  • B)

    Mundo mágico, capaz de recuperar o encantamento perdido durante o período de decadência da aristocracia rural mineira.

  • C)

    Cena familiar, na qual o calor humano dos habitantes da casa ocupa o primeiro plano, compensando a frieza e austeridade dos objetos antigos.

  • D)

    Símbolo de um passado ilustre que, apesar de superado, ainda resiste à sua total dissolução graças ao cuidado e asseio que a família dispensa à conservação da casa.

  • E)

    Espaço arruinado, onde os objetos perderam seu esplendor e sobre os quais a vida repousa como lembrança de um passado que está em vias de desaparecer completamente.

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Perguntas frequentes

O que caracteriza a decadência da aristocracia rural no Brasil?

A decadência da aristocracia rural brasileira, especialmente em Minas Gerais, foi marcada pela perda de poder econômico e político com o fim do ciclo do café, a urbanização e a industrialização. Famílias tradicionais viram suas propriedades e influência diminuírem, gerando um sentimento de nostalgia e ruína.

Qual é a importância de Lúcio Cardoso na literatura brasileira?

Lúcio Cardoso foi um escritor modernista que se destacou pela introspecção psicológica e pela crítica à decadência das elites rurais. Sua obra 'Crônica da Casa Assassinada' é considerada um marco por abordar a desagregação familiar e social com forte simbolismo.

Como o espaço físico é usado como recurso literário para representar decadência?

Na literatura, a descrição de espaços físicos, como casas antigas e objetos deteriorados, simboliza a perda de vitalidade e o declínio de valores. O ambiente reflete o estado psicológico das personagens e a crise histórica, criando uma atmosfera de ruína iminente.

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