Sobre o tema
A relação entre a língua padrão e o uso real da língua é um tema central nos estudos linguísticos e no ensino de português. De um lado, há a visão prescritivista, que defende a obediência estrita às regras gramaticais tradicionais, considerando qualquer variação como erro. De outro, a visão descritivista, que busca descrever a língua como ela é efetivamente usada pelos falantes, reconhecendo a legitimidade das variações, inclusive as regionais e históricas. No Brasil, o debate se intensifica com a questão do português brasileiro, que apresenta diferenças em relação ao português europeu. As provas do ENEM frequentemente abordam essa tensão entre norma culta e uso coloquial, exigindo que o candidato compreenda as diferentes perspectivas sobre o fenômeno linguístico.
Tópicos relacionados
- Prescritivismo vs. descritivismo linguístico
- Norma culta e variação linguística
- Português brasileiro e português europeu
- Gramática normativa e gramática descritiva
- ENEM: interpretação de textos sobre língua
Enunciado
Texto I
O professor deve ser um guia seguro, muito senhor de sua língua; se outra for a orientação, vamos cair na “língua brasileira”, refúgio nefasto e confissão nojenta de ignorância do idioma pátrio, recurso vergonhoso de homens de cultura falsa e de falso patriotismo. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os primeiros a descuidar daquilo que exprime e representa o idioma pátrio?
ALMEIDA, N. M. Gramática metódica da língua portuguesa.
Prefácio. São Paulo: Saraiva, 1999 (adaptado).
Texto II
Alguns leitores poderão achar que a linguagem desta Gramática se afasta do padrão estrito usual neste tipo de livro. Assim, o autor escreve _tenho que reformular_, e não _tenho de reformular_; _pode-se colocar dois constituintes_, e não _podem-se colocar dois constituintes_; e assim por diante. Isso foi feito de caso pensado, com a preocupação de aproximar a linguagem da gramática do padrão atual brasileiro presente nos textos técnicos jornalísticos de nossa época.
REIS, N. Nota do editor. PERINI, M. A. Gramática descritiva
do português. São Paulo: Ática, 1996.
Confrontando-se as opiniões defendidas nos dois textos, conclui-se que
Alternativas
- A)
Ambos os textos tratam da questão do uso da língua com o objetivo de criticar a linguagem do brasileiro.
- B)
Os dois textos defendem a ideia de que o estudo da gramática deve ter o objetivo de ensinar as regras prescritivas da língua.
- C)
A questão do português falado no Brasil é abordada nos dois textos, que procuram justificar como é correto e aceitável o uso coloquial do idioma.
- D)
O primeiro texto enaltece o padrão estrito da língua, ao passo que o segundo defende que a linguagem jornalística deve criar suas próprias regras gramaticais.
- E)
O primeiro texto prega a rigidez gramatical no uso da língua, enquanto o segundo defende uma adequação da língua escrita ao padrão atual brasileiro.
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Perguntas frequentes
O que é prescritivismo linguístico?
É a abordagem que defende o uso da língua conforme regras estabelecidas por gramáticas normativas, considerando desvios como erros.
O que é descritivismo linguístico?
É a abordagem que descreve a língua como ela é realmente usada pelos falantes, sem julgar formas como certas ou erradas.
Qual a diferença entre gramática normativa e descritiva?
A gramática normativa prescreve regras de uso considerado correto; a descritiva registra e analisa as estruturas efetivamente empregadas pelos falantes.
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