Ano 2009#linguagens

Sobre o tema

A relação entre língua, poder e preconceito linguístico é um tema central nos estudos sociolinguísticos. Durante a expansão marítima portuguesa, o contato com povos de diferentes línguas gerou variações e mudanças no português, mas também alimentou visões etnocêntricas sobre a 'pureza' do idioma. João de Barros, gramático do século XVI, exemplifica essa visão ao classificar como 'barbarismo' as adaptações feitas por falantes não nativos. Essa perspectiva contrasta com a abordagem moderna, que reconhece a diversidade linguística como fenômeno natural e dinâmico. Compreender esses processos é essencial para desconstruir preconceitos e valorizar a riqueza das variedades do português falado no Brasil e no mundo.

Tópicos relacionados

  • Preconceito linguístico na história
  • Contato entre línguas e variação
  • Visão homogênea da língua
  • João de Barros e o barbarismo
  • Língua, poder e identidade

Enunciado

Texto I
Acompanhando os navegadores, colonizadores e comerciantes portugueses em todas as suas incríveis viagens, a partir do século XV, o português se transformou na língua de um império. Nesse processo, entrou em contato — forçado, o mais das vezes; amigável, em alguns casos — com as mais diversas línguas, passando por processos de variação e de mudança linguística. Assim, contar a história do português do Brasil é mergulhar na sua história colonial e de país independente, já que as línguas não são mecanismos desgarrados dos povos que as utilizam. Nesse cenário, são muitos os aspectos da estrutura linguística que não só expressam a diferença entre Portugal e Brasil como também definem, no Brasil, diferenças regionais e sociais.

PAGOTTO, E. P. Línguas do Brasil. Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br.
Acesso em: 5 jul. 2009 (adaptado).

Texto II
Barbarismo é vício que se comete na escritura de cada uma das partes da construção ou na pronunciação. E em nenhuma parte da Terra se comete mais essa figura da pronunciação que nestes reinos, por causa das muitas nações que trouxemos ao jugo do nosso serviço. Porque bem como os Gregos e Romanos haviam por _bárbaras_ todas as outras nações estranhas a eles, por não poderem formar sua linguagem, assim nós podemos dizer que as nações de África, Guiné, Ásia, Brasil barbarizam quando querem imitar a nossa.

BARROS, J. Gramática da língua portuguesa. Porto: Porto Editora, 1957 (adaptado).

Os textos abordam o contato da língua portuguesa com outras línguas e processos de variação e de mudança decorridos desse contato. Da comparação entre os textos, conclui-se que a posição de João de Barros (Texto II), em relação aos usos sociais da linguagem, revela

Alternativas

  • A)

    Atitude crítica do autor quanto à gramática que as nações a serviço de Portugal possuíam e, ao mesmo tempo, de benevolência quanto ao conhecimento que os povos tinham de suas línguas.

  • B)

    Atitude preconceituosa relativa a vícios culturais das nações sob domínio português, dado o interesse dos falantes dessa línguas em copiar a língua do império, o que implicou a falência do idioma falado em Portugal.

  • C)

    O desejo de conservar, em Portugal, as estruturas da variante padrão da língua grega — em oposição às consideradas bárbaras —, em vista da necessidade de preservação do padrão de correção dessa língua à época.

  • D)

    Adesão à concepção de língua como entidade homogênea e invariável, e negação da ideia de que a língua portuguesa pertence a outros povos.

  • E)

    Atitude crítica, que se estende à própria língua portuguesa, por se tratar de sistema que não disporia de elementos necessários para a plena inserção sociocultural de falantes não nativos do português.

0.0 (0 avaliacoes)

Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.

Comentarios (0)

Login obrigatorio

Carregando comentarios...

Perguntar pra IA

Perguntas frequentes

O que é barbarismo na gramática tradicional?

Barbarismo é um vício de linguagem que consiste no uso incorreto de palavras ou pronúncias, considerado desvio da norma culta. No contexto colonial, era usado para desqualificar falares de povos dominados.

Como o contato entre línguas influencia a variação linguística?

O contato entre línguas gera empréstimos, mudanças fonéticas e gramaticais, além de novas variedades. Exemplo é o português brasileiro, que incorporou termos indígenas e africanos.

Por que é problemática a ideia de língua homogênea?

A ideia de língua homogênea ignora a diversidade de falares e a dinâmica social. Toda língua viva apresenta variações regionais, sociais e históricas, sendo fruto de interações culturais.

Questões relacionadas