Ano 2010

Sobre o tema

No Brasil do século XX, a literatura frequentemente retratou as condições de vida dos marginalizados, usando o espaço como elemento central para evidenciar a exclusão social. Autores como Jorge Amado e Dalton Trevisan, em obras como 'Capitães da Areia' e contos urbanos, descrevem cenários precários, trapiches, debaixo de pontes, margens de rios, que não são meros cenários, mas símbolos da segregação imposta pela sociedade. O espaço literário, nesse contexto, vai além da ambientação: ele denuncia a invisibilidade dos pobres e a naturalização da desigualdade. Entender essa técnica é fundamental para interpretar a crítica social embutida na literatura brasileira moderna, que humaniza personagens à margem ao mesmo tempo que expõe as estruturas que os confinam.

Tópicos relacionados

  • Espaço literário como denúncia social
  • Exclusão social na literatura brasileira do século XX
  • Humanização de personagens marginalizados
  • Jorge Amado e Dalton Trevisan
  • Ambientação e crítica social

Enunciado

Texto I
Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava. Estranhas coisas entraram então para o trapiche. Não mais estranhas, porém, que aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os nove aos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam, indiferentes ao vento que circundava o casarão uivando, indiferentes à chuva que muitas vezes os lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos
presos às canções que vinham das embarcações…

AMADO, J. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento).

Texto II
À margem esquerda do rio Belém, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro – ali os bêbados são felizes. Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades de cachaça e pirão. No trivial contentavam-se com as sobras do mercado.

TREVISAN, D. 35 noites de paixão: contos escolhidos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009 (fragmento).

Sob diferentes perspectivas, os fragmentos citados são exemplos de uma abordagem literária recorrente na literatura brasileira do século XX. Em ambos os textos,

Alternativas

  • A)

    A linguagem afetiva aproxima os narradores dos personagens marginalizados.

  • B)

    A ironia marca o distanciamento dos narradores em relação aos personagens.

  • C)

    O detalhamento do cotidiano dos personagens revela a sua origem social.

  • D)

    O espaço onde vivem os personagens é uma das marcas de sua exclusão.

  • E)

    A crítica à indiferença da sociedade pelos marginalizados é direta.

0.0 (0 avaliacoes)

Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.

Comentarios (0)

Login obrigatorio

Carregando comentarios...

Perguntar pra IA

Perguntas frequentes

Como o espaço literário pode representar exclusão social?

O espaço literário, como trapiches, favelas ou margens de rios, reflete a segregação imposta pela sociedade. Ele não é apenas cenário, mas um símbolo da condição marginalizada dos personagens.

Qual a importância dos detalhes do cotidiano em obras sobre exclusão?

Detalhes cotidianos revelam a origem social e as condições de vida dos personagens, mas não são o único recurso; o espaço e a perspectiva narrativa também denunciam a exclusão.

Que autores brasileiros do século XX abordaram a marginalização?

Jorge Amado, com 'Capitães da Areia', e Dalton Trevisan, com contos urbanos, são exemplos. Também Graciliano Ramos e João Antônio exploraram a exclusão.