Sobre o tema
O narcotráfico nas favelas brasileiras é um problema complexo que envolve fatores sociais, econômicos e de segurança pública. O editorial analisa a atração que o tráfico exerce sobre jovens de baixa renda, oferecendo salários muito superiores aos de políticas sociais como o Bolsa-Escola. O texto argumenta que as políticas compensatórias, embora importantes, são insuficientes para impedir o aliciamento, e defende que a repressão policial é essencial para aumentar os riscos e desestimular a entrada no crime. Essa discussão é central para entender os desafios do combate ao crime organizado no Brasil.
Tópicos relacionados
- Criminalidade juvenil e narcotráfico
- Políticas sociais compensatórias
- Repressão policial ao crime organizado
- Desigualdade social e atração pelo crime
- Efetividade do Estado no combate ao tráfico
Enunciado
A carreira do crime
Estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz sobre adolescentes recrutados pelo tráfico de drogas nas favelas cariocas expõe as bases sociais dessas quadrilhas, contribuindo para explicar as dificuldades que o Estado enfrenta no combate ao crime organizado.
O tráfico oferece ao jovem de escolaridade precária (nenhum dos entrevistados havia completado o ensino fundamental) um plano de carreira bem estruturado, com salários que variam de R$ 400,00 a R$ 12.000 mensais. Para uma base de comparação, convém notar que, segundo dados do IBGE de 2001, 59% da população brasileira com mais de dez anos que declara ter uma atividade remunerada ganha no máximo o ‘piso salarial’ oferecido pelo crime. Dos traficantes ouvidos pela pesquisa, 25% recebiam mais de R$ 2.000 mensais; já na população brasileira essa taxa não ultrapassa 6%.
Tais rendimentos mostram que as políticas sociais compensatórias, como o Bolsa-Escola (que paga R$ 15 mensais por aluno matriculado), são por si só incapazes de impedir que o narcotráfico continue aliciando crianças provenientes de estratos de baixa renda: tais políticas aliviam um pouco o orçamento familiar e incentivam os pais a manterem os filhos estudando, o que de modo algum impossibilita a opção pela deliquência. No mesmo sentido, os programas voltados aos jovens vulneráveis ao crime organizado (circo-escola, oficinas de cultura, escolinhas de futebol) são importantes, mas não resolvem o problema.
A única maneira de reduzir a atração exercida pelo tráfico é a repressão, que aumenta os riscos para os que escolhem esse caminho. Os rendimentos pagos aos adolescentes provam isso: eles são elevados precisamente porque a possibilidade de ser preso não é desprezível. É preciso que o Executivo federal e os estaduais desmontem as organizações paralelas erguidas pelas quadrilhas, para que a certeza de punição elimine o fascínio dos salários do crime.
Editorial. Folha de São Paulo. 15 jan. 2003.
Com base nos argumentos do autor, o texto aponta para
Alternativas
- A)
Uma denúncia de quadrilhas que se organizam em torno do narcotráfico.
- B)
A constatação de que o narcotráfico restringe-se aos centros urbanos.
- C)
A informação de que as políticas sociais compensatórias eliminarão a atividade criminosa a longo prazo.
- D)
O convencimento do leitor de que para haver a superação do problema do narcotráfico é preciso aumentar a ação policial.
- E)
Uma exposição numérica realizada com o fim de mostrar que o negócio do narcotráfico é vantajoso e sem riscos.
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Perguntas frequentes
Por que os jovens de baixa renda são atraídos pelo narcotráfico?
O tráfico oferece salários muito superiores aos de programas sociais e empregos formais para jovens com pouca escolaridade, criando uma 'carreira' que parece vantajosa apesar dos riscos.
As políticas sociais são suficientes para combater o aliciamento de jovens pelo crime?
Segundo o texto, políticas como o Bolsa-Escola aliviam o orçamento familiar mas não impedem a opção pelo crime, pois os rendimentos do tráfico são muito maiores.
Qual é o papel da repressão no combate ao narcotráfico?
A repressão aumenta os riscos para os traficantes, elevando a probabilidade de prisão, o que reduz o atrativo dos altos salários e pode desestimular o ingresso no crime.