Ano 2010

Sobre o tema

O editorial 'A carreira do crime', publicado pela Folha de S.Paulo em 2003, aborda a atração do tráfico de drogas sobre jovens de baixa renda no Rio de Janeiro. O texto analisa dados de uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, que revela salários elevados no crime organizado em comparação com programas sociais como o Bolsa-Escola. A discussão central envolve a eficácia das políticas sociais compensatórias frente à repressão como mecanismo para reduzir o aliciamento de menores. O editorial defende que, enquanto os salários do crime forem muito superiores aos benefícios governamentais, a repressão e o desmantelamento de organizações paralelas são essenciais para aumentar os riscos da atividade ilegal. Esse tema é relevante para compreender os desafios do combate ao crime organizado e a necessidade de políticas públicas integradas.

Tópicos relacionados

  • Trafico de drogas e jovens
  • Politicas sociais compensatorias
  • Repressao ao crime organizado
  • Salarios no crime vs. programas sociais
  • Pesquisa da Fundacao Oswaldo Cruz

Enunciado

A carreira do crime

Estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz sobre adolescentes recrutados pelo tráfico de drogas nas favelas cariocas expõe as bases sociais dessas quadrilhas, contribuindo para explicar as dificuldades que o Estado enfrenta no combate ao crime organizado.

O tráfico oferece ao jovem de escolaridade precária (nenhum dos entrevistados havia completado o ensino fundamental) um plano de carreira bem estruturado, com salários que variam de R$ 400,00 a R$ 12.000 mensais. Para uma base de comparação, convém notar que, segundo dados do IBGE de 2001, 59% da população brasileira com mais de dez anos que declara ter uma atividade remunerada ganha no máximo o ‘piso salarial’ oferecido pelo crime. Dos traficantes ouvidos pela pesquisa, 25% recebiam mais de R$ 2.000 mensais; já na população brasileira essa taxa não ultrapassa 6%.

Tais rendimentos mostram que as políticas sociais compensatórias, como o Bolsa-Escola (que paga R$ 15 mensais por aluno matriculado), são por si só incapazes de impedir que o narcotráfico continue aliciando crianças provenientes de estratos de baixa renda: tais políticas aliviam um pouco o orçamento familiar e incentivam os pais a manterem os filhos estudando, o que de modo algum impossibilita a opção pela deliquência. No mesmo sentido, os programas voltados aos jovens vulneráveis ao crime organizado (circo-escola, oficinas de cultura, escolinhas de futebol) são importantes, mas não resolvem o problema.

A única maneira de reduzir a atração exercida pelo tráfico é a repressão, que aumenta os riscos para os que escolhem esse caminho. Os rendimentos pagos aos adolescentes provam isso: eles são elevados precisamente porque a possibilidade de ser preso não é desprezível. É preciso que o Executivo federal e os estaduais desmontem as organizações paralelas erguidas pelas quadrilhas, para que a certeza de punição elimine o fascínio dos salários do crime.

Editorial. Folha de São Paulo. 15 jan. 2003.

No Editorial, o autor defende a tese de que “as políticas sociais que procuram evitar a entrada dos jovens compensatória que aquela oferecida pelos programas do governo”. Para comprovar sua tese, o autor apresenta

Alternativas

  • A)

    Instituições que divulgam o crescimento de jovens no crime organizado.

  • B)

    Sugestões que ajudam a reduzir a atração exercida pelo crime organizado.

  • C)

    Políticas sociais que impedem o aliciamento de crianças no crime organizado.

  • D)

    Pesquisadores que se preocupam com os jovens envolvidos no crime organizado.

  • E)

    Números que comparam os valores pagos entre os programas de governo e o crime organizado.

0.0 (0 avaliacoes)

Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.

Comentarios (0)

Login obrigatorio

Carregando comentarios...

Perguntar pra IA

Perguntas frequentes

Qual é a principal tese do editorial 'A carreira do crime'?

A tese central é que as políticas sociais compensatórias, como o Bolsa-Escola, são insuficientes para evitar o aliciamento de jovens pelo tráfico, sendo necessária a repressão para aumentar os riscos e reduzir o fascínio dos salários do crime.

Quais dados são usados para comparar salários do crime e programas sociais?

O editorial usa dados da pesquisa da Fiocruz, mostrando que os salários no tráfico variam de R$ 400 a R$ 12.000 mensais, enquanto 59% da população brasileira ganha no máximo o piso de R$ 400. Além disso, 25% dos traficantes recebem mais de R$ 2.000, contra apenas 6% da população geral.

Por que o autor defende a repressão como solução?

Porque os salários elevados no crime refletem o risco de punição. Aumentar a certeza da punição desestimularia a entrada no crime organizado, ao contrário de políticas sociais que, embora importantes, não competem financeiramente com as ofertas do tráfico.