Ano 2011

Sobre o tema

A construção da memória histórica sobre a Proclamação da República no Brasil é um tema central para entender como diferentes grupos políticos utilizam o passado para legitimar suas ações. A citação de Aristides Lobo, que descreveu o povo como 'bestializado' diante do evento, foi reinterpretada pelos revolucionários de 1930, que buscavam desacreditar a República Velha. Essa releitura negativa de 1889 serviu para fortalecer a narrativa de que o verdadeiro Brasil republicano teria nascido apenas em 1930, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder. O estudo desse processo revela como a memória é seletiva e instrumentalizada, sendo um recurso poderoso na disputa política. Compreender essa dinâmica é essencial para analisar a formação da identidade nacional e as transformações políticas brasileiras.

Tópicos relacionados

  • Memória histórica e poder político
  • Proclamação da República no Brasil
  • Revolução de 1930 e legitimação
  • Usos do passado pela política
  • República Velha e Era Vargas

Enunciado

É difícil encontrar um texto sobre a Proclamação da República no Brasil que não cite a afirmação de Aristides Lobo, no Diário Popular de São Paulo, de que “o povo assistiu àquilo bestializado”. Essa versão foi relida pelos enaltecedores da Revolução de 1930, que não descuidaram da forma republicana, mas realçaram a exclusão social, o militarismo e o estrangeirismo da fórmula implantada em 1889. Isto porque o Brasil brasileiro teria nascido em 1930

MELLO, M. T. C. A república consentida: cultura democrática e científica no final do Império.
Rio de Janeiro: FGV, 2007 (adaptado).

O texto defende que a consolidação de uma determinada memória sobre a Proclamação da República no Brasil teve, na Revolução de 1930, um de seus momentos mais importantes. Os defensores da Revolução de 1930 procuraram construir uma visão negativa para os eventos de 1889, porque esta era uma maneira de

Alternativas

  • A)

    Valorizar as propostas políticas democráticas e liberais vitoriosas.

  • B)

    Resgatar simbolicamente as figuras políticas ligadas à Monarquia.

  • C)

    Criticar a política educacional adotada durante a República Velha.

  • D)

    Legitimar a ordem política inaugurada com a chegada desse grupo ao poder.

  • E)

    Destacar a ampla participação popular obtida no processo da Proclamação.

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Perguntas frequentes

Qual foi o papel da Revolução de 1930 na construção da memória republicana?

A Revolução de 1930 reinterpretou a Proclamação da República de 1889 de forma negativa, destacando a exclusão social e o militarismo, para legitimar seu próprio projeto político como o verdadeiro início do Brasil republicano.

Por que a memória histórica é importante para a legitimação política?

A memória histórica é usada para criar narrativas que justificam o poder de um grupo, desqualificando períodos anteriores e associando a nova ordem a valores positivos, como modernidade e justiça social.

Como a citação de Aristides Lobo foi utilizada pelos revolucionários de 1930?

A frase 'o povo assistiu àquilo bestializado' foi usada para criticar a República Velha por sua falta de participação popular, contrastando com a suposta mobilização de 1930.