Sobre o tema
A variação linguística é um fenômeno natural e inevitável em qualquer língua viva. Diferentemente do que prega a gramática normativa, a língua não é um sistema homogêneo e imutável; ela se adapta conforme o contexto social, regional e situacional. O texto de Dinah Callou discute justamente essa pluralidade de normas, mostrando que usos como 'ter' por 'haver' em construções existenciais ou 'para mim fazer' ocorrem mesmo entre falantes escolarizados, revelando tendências de mudança que não podem ser simplesmente condenadas. Compreender essa diversidade é essencial para uma abordagem realista do ensino de português, que valorize tanto a norma culta quanto as variedades legítimas da língua.
Tópicos relacionados
- Variação linguística e suas causas
- Norma culta versus variação real
- Mudança linguística e gramática normativa
- Pluralidade de normas no português
- Ensino de língua e preconceito linguístico
Enunciado
Há certos usos consagrados na fala, e até mesmo na escrita, que, a depender do estrato social e do nível de escolaridade do falante, são, sem dúvida, previsíveis. Ocorrem até mesmo em falantes que dominam a variedade padrão, pois, na verdade, revelam tendências existentes na língua em seu processo de mudança que não podem ser bloqueadas em nome de um “ideal linguístico” que estaria representado pelas regras da gramática normativa. Usos como _ter_ por _haver_ em construções existenciais (_tem_ muitos livros na estante), o do pronome objeto na posição de sujeito (para _mim_ fazer o trabalho), a não-concordância das passivas com _se_ (_aluga-se_ casas) são indícios da existência, não de uma norma única, mas de uma pluralidade de normas, entendida, mais uma vez, norma como conjunto de hábitos linguísticos, sem implicar juízo de valor.
CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.; BRANDÃO, S. (orgs). Ensino de gramática: descrição e uso. São Paulo: Contexto, 2007 (fragmento).
Considerando a reflexão trazida no texto a respeito da multiplicidade do discurso, verifica-se que
Alternativas
- A)
Estudantes que não conhecem as diferenças entre língua escrita e língua falada empregam, indistintamente, usos aceitos na conversa com amigos quando vão elaborar um texto escrito.
- B)
Falantes que dominam a variedade padrão do português do Brasil demonstram usos que confirmam a diferença entre a norma idealizada e a efetivamente praticada, mesmo por falantes mais escolarizados.
- C)
Moradores de diversas regiões do país que enfrentam dificuldades ao se expressar na escrita revelam a constante modificação das regras de emprego de pronomes e os casos especiais de concordância.
- D)
Pessoas que se julgam no direito de contrariar a gramática ensinada na escola gostam de apresentar usos não aceitos socialmente para esconderem seu desconhecimento da norma padrão.
- E)
Usuários que desvendam os mistérios e sutilezas da língua portuguesa empregam formas do verbo ter quando, na verdade, deveriam usar formas do verbo haver, contrariando as regras gramaticais.
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Perguntas frequentes
O que é variação linguística?
Variação linguística é a diversidade de usos de uma língua, que ocorre por fatores como região, classe social, idade, contexto e situação de fala.
Por que falantes escolarizados também usam formas não padrão?
Porque a língua não é um sistema homogêneo; mesmo falantes cultos empregam construções que refletem mudanças em curso, como 'tem' por 'há', sem que isso seja erro, mas sim traço de variação.
Como a pluralidade de normas é tratada no ensino?
O ideal é que o ensino reconheça a existência de múltiplas normas, valorizando a competência comunicativa do aluno e não apenas a gramática normativa, combatendo o preconceito linguístico.