Sobre o tema
A obra 'Grande Sertão: Veredas', de Guimarães Rosa, é um marco da literatura brasileira, conhecida por sua linguagem inovadora e pela complexa abordagem das relações sociais no sertão. O fragmento em questão revela a figura do agregado, típica do sistema latifundiário brasileiro, onde trabalhadores rurais viviam em condição de dependência pessoal e econômica em relação aos grandes proprietários. A narrativa de Riobaldo expõe a precariedade dessa existência, marcada pela falta de vínculos estáveis com a terra e pela mobilidade forçada, contrastando com a estabilidade dos fazendeiros. A análise desse excerto permite compreender como a literatura pode refletir estruturas sociais históricas, como a concentração fundiária e as relações de poder no campo.
Tópicos relacionados
- Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa
- Relações sociais no sertão brasileiro
- Agregados e meeiros na literatura
- Desigualdade social no campo brasileiro
- Análise de fragmento literário
Enunciado
Quem é pobre, pouco se apega, é um giro-o-giro no vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas. O senhor vê: o Zé-Zim, o melhor meeiro meu aqui, risonho e habilidoso. Pergunto: — Zé-Zim, por que é que você não cria galinhas-d’angola, como todo o mundo faz? — Quero criar nada não… — me deu resposta: — Eu gosto muito de mudar… \[…\] Belo um dia, ele tora. Ninguém discrepa. Eu, tantas, mesmo digo. Eu dou proteção. \[…\] Essa não faltou também à minha mãe, quando eu era menino, no sertãozinho de minha terra. \[…\] Gente melhor do lugar eram todos dessa família Guedes, Jidião Guedes; quando saíram de lá, nos trouxeram junto, minha mãe e eu. Ficamos existindo em território baixio da Sirga, da outra banda, ali onde o de-Janeiro vai no São Francisco, o senhor sabe.
ROSA, J. G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: José Olympio (fragmento).
Na passagem citada, Riobaldo expõe uma situação decorrente de uma desigualdade social típica das áreas rurais brasileiras marcadas pela concentração de terras e pela relação de dependência entre agregados e fazendeiros. No texto, destaca-se essa relação porque o personagem-narrador
Alternativas
- A)
Relata a seu interlocutor a história de Zé-Zim, demonstrando sua pouca disposição em ajudar seus agregados, uma vez que superou essa condição graças à sua força de trabalho.
- B)
Descreve o processo de transformação de um meeiro — espécie de agregado — em proprietário de terra.
- C)
Denuncia a falta de compromisso e a desocupação dos moradores, que pouco se envolvem no trabalho da terra.
- D)
Mostra como a condição material da vida do sertanejo é dificultada pela sua dupla condição de homem livre e, ao mesmo tempo, dependente.
- E)
Mantém o distanciamento narrativo condizente com sua posição social, de proprietário de terras.
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Perguntas frequentes
O que é um agregado na literatura de Guimarães Rosa?
Na obra de Guimarães Rosa, o agregado é um trabalhador rural que vive em terras de um fazendeiro, em condição de dependência pessoal e econômica, sem vínculo formal de trabalho ou propriedade.
Como 'Grande Sertão: Veredas' aborda a questão da terra?
O romance retrata a concentração fundiária e as relações de poder no sertão, mostrando a vida de vaqueiros, agregados e fazendeiros, com destaque para a mobilidade e a falta de pertencimento dos mais pobres.
Qual a importância da linguagem de Guimarães Rosa para a literatura brasileira?
Guimarães Rosa inovou ao criar uma linguagem própria, mesclando regionalismos, neologismos e estruturas sintáticas únicas, que expressam a complexidade do sertão e de seus personagens.
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