Ano 2012

Sobre o tema

A violência e a agressividade na sociedade brasileira são temas centrais para compreender os desafios da cidadania e da presença do Estado. Norbert Elias, em sua teoria do processo civilizador, argumenta que toda sociedade precisa canalizar pulsões e impor controles comportamentais, gerando medo e limitações. No Brasil, a fragilidade do exercício da cidadania e a ausência estatal em diversos territórios criam um terreno fértil para a violência, conforme aponta Joel Birman. Essa realidade revela uma dificuldade histórica em institucionalizar formas de controle social que sejam compatíveis com valores democráticos, sem recorrer a práticas autoritárias ou excludentes. A questão aborda justamente essa tensão entre a necessidade de controle, o medo que ele gera e a busca por uma sociedade democrática e menos violenta.

Tópicos relacionados

  • Violência e sociedade brasileira
  • Processo civilizador de Norbert Elias
  • Controle social e democracia
  • Cidadania e Estado no Brasil
  • Agressividade e criminalidade

Enunciado

Texto I

O que vemos no país é uma espécie de espraiamento e a manifestação da agressividade através da violência. Isso se desdobra de maneira evidente na criminalidade, que está presente em todos os redutos — seja nas áreas abandonadas pelo poder público, seja na política ou no futebol. O brasileiro não é mais violento do que outros povos, mas a fragilidade do exercício e do reconhecimento da cidadania e a ausência do Estado em vários territórios do país se impõem como um caldo de cultura no qual a agressividade e a violência fincam suas raízes.

Entrevista com Joel Birman. A Corrupção é um crime sem rosto. IstoÉ. Edição 2099, 3 fev. 2010.

Texto II

Nenhuma sociedade pode sobreviver sem canalizar as pulsões e emoções do indivíduo, sem um controle muito específico de seu comportamento. Nenhum controle desse tipo é possível sem que as pessoas anteponham limitações umas às outras, e todas as limitações são convertidas, na pessoa a quem são impostas, em medo de um ou outro tipo.

ELIAS, N. O Processo Civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.

Considerando-se a dinâmica do processo civilizador, tal como descrito no Texto II, o argumento do Texto I acerca da violência e agressividade na sociedade brasileira expressa a

Alternativas

  • A)

    Incompatibilidade entre os modos democráticos de convívio social e a presença de aparatos de controle policial.

  • B)

    Manutenção de práticas repressivas herdadas dos períodos ditatoriais sob a forma de leis e atos administrativos.

  • C)

    Inabilidade das forças militares em conter a violência decorrente das ondas migratórias nas grandes cidades brasileiras.

  • D)

    Dificuldade histórica da sociedade brasileira em institucionalizar formas de controle social compatíveis com valores democráticos.

  • E)

    Incapacidade das instituições político-legislativas em formular mecanismos de controle social específicos à realidade social brasileira.

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Perguntas frequentes

O que é o processo civilizador segundo Norbert Elias?

O processo civilizador é a transformação gradual das estruturas sociais e psíquicas, com aumento do controle das emoções e da violência pelo Estado e pela sociedade, gerando medo e internalização de normas.

Como a ausência do Estado se relaciona com a violência no Brasil?

A ausência do Estado em certas áreas fragiliza a cidadania e o controle social, criando um ambiente onde a agressividade e a violência se expandem, como apontado por Joel Birman.

Qual a relação entre controle social e democracia?

A democracia exige formas de controle social que limitem comportamentos sem recorrer a autoritarismo, equilibrando liberdade individual e ordem coletiva. A dificuldade em estabelecer esse equilíbrio pode levar à violência.