Ano 2012

Sobre o tema

O movimento das quebradeiras de coco-babaçu representa uma luta histórica de mulheres trabalhadoras rurais no Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins. Essas mulheres dependem do extrativismo do babaçu para sobreviver, mas enfrentam a privatização das palmeiras por fazendeiros e posseiros. A organização coletiva surge da necessidade de garantir o acesso aos babaçuais, ameaçados pelo avanço do agronegócio e pela concentração fundiária. A identidade de 'quebradeira' torna-se um símbolo de resistência contra a exclusão social e a subalternidade impostas pela lógica da dominação. O movimento reivindica a posse da terra e a libertação dos cocos 'presos' em propriedades privadas, refletindo um conflito entre o uso comunitário dos recursos naturais e os direitos de propriedade.

Tópicos relacionados

  • Movimentos sociais no campo
  • Extrativismo do babaçu
  • Conflitos fundiários no Meio-Norte
  • Identidade de gênero e trabalho rural

Enunciado

As mulheres quebradeiras de coco-babaçu dos Estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, na sua grande maioria, vivem numa situação de exclusão e subalternidade. O termo quebradeira de coco assume o caráter de identidade coletiva na medida em que as mulheres que sobrevivem dessa atividade e reconhecem sua posição e condição desvalorizada pela lógica da dominação, se organizam em movimentos de resistência e de luta pela conquista da terra, pela libertação dos babaçuais, pela autonomia do processo produtivo. Passam a atribuir significados ao seu trabalho e as suas experiências, tendo como principal referência sua condição preexistente de acesso e uso dos recursos naturais.

ROCHA, M. R. T. A luta das mulheres quebradeiras de coco-babaçu, pela libertação do coco preso e pela posse da terra. In: Anais do VII Congresso Latino-Americano de Sociologia Rural, Quito, 2006 (adaptado).

A organização do movimento das quebradeiras de coco de babaçu é resultante da

Alternativas

  • A)

    Constante violência nos babaçuais na confluência de terras maranhenses, piauienses, paraenses e tocantinenses, região com elevado índice de homicídios.

  • B)

    Falta de identidade coletiva das trabalhadoras, migrantes das cidades e com pouco vínculo histórico com as áreas rurais do interior do Tocantins, Pará, Maranhão e Piauí.

  • C)

    Escassez de água nas regiões de veredas, ambientes naturais dos babaçus, causada pela construção de açudes particulares, impedindo o amplo acesso público aos recursos hídricos.

  • D)

    Progressiva devastação das matas dos cocais, em função do avanço da sojicultura nos chapadões do Meio-Norte brasileiro.

  • E)

    Dificuldade imposta pelos fazendeiros e posseiros no acesso aos babaçuais localizados no interior de suas propriedades.

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Perguntas frequentes

O que são quebradeiras de coco-babaçu?

São mulheres que extraem e quebram o coco babaçu para produzir óleo e outros subprodutos, atividade tradicional no Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins.

Por que o acesso aos babaçuais é um problema?

Fazendeiros e posseiros restringem o acesso às palmeiras sob alegação de propriedade privada, impedindo as quebradeiras de coletar os cocos.

Qual a relação entre o movimento e a identidade coletiva?

A identidade de 'quebradeira' fortalece a luta por direitos, unindo mulheres que reconhecem sua condição de exclusão e se organizam para resistir.