Ano 2012

Sobre o tema

O fragmento de "O aprendizado", de Samuel Rawet, critica a habilidade de um personagem em manipular a linguagem conforme o interlocutor, revelando uma consciência estratégica do poder discursivo. A obra integra a literatura brasileira do século XX, explorando temas como alienação e jogos de poder. A crítica central reside na transformação do personagem em um títere voluntário, que se anula ao adaptar seu discurso para obter vantagens sociais. Rawet utiliza a metáfora do fantoche para denunciar a perda de autenticidade e a instrumentalização da linguagem como ferramenta de ascensão. A questão exige compreensão da ironia e da crítica social implícitas no texto, associando a conduta do protagonista à ideia de que, ao dominar os discursos, ele se torna marionete do sistema.

Tópicos relacionados

  • Metáfora do títere na literatura
  • Crítica social em Samuel Rawet
  • Jogos de poder e linguagem
  • Adaptação discursiva e hipocrisia social
  • Literatura brasileira do século XX

Enunciado

E como manejava bem os cordéis de seus títeres, ou ele mesmo, títere voluntário e consciente, como entregava o braço, as pernas, a cabeça, o tronco, como se desfazia de suas articulações e de seus reflexos quando achava nisso conveniência. Também ele soubera apoderar-se dessa arte, mais artifício, toda feita de sutilezas e grosserias, de expectativa e oportunidade, de insolência e submissão, de silêncios e rompantes, de anulação e prepotência. Conhecia a palavra exata para o momento preciso, a frase picante ou obscena no ambiente adequado, o tom humilde diante do superior útil, o grosseiro diante do inferior, o arrogante quando o poderoso em nada o podia prejudicar. Sabia desfazer situações equívocas, e armar intrigas das quais se saía sempre bem, e sabia, por experiência própria, que a fortuna se ganha com uma frase, num dado momento, que este momento único, irrecuperável, irreversível, exige um estado de alerta para a sua apropriação.

RAWET, S. O aprendizado. In: Diálogo. Rio de Janeiro: GRD, 1963 (fragmento).

No conto, o autor retrata criticamente a habilidade do personagem no manejo de discursos diferentes segundo a posição do interlocutor na sociedade. A crítica à conduta do personagem está centrada

Alternativas

  • A)

    Na imagem do títere ou fantoche em que o personagem acaba por se transformar, acreditando dominar os jogos de poder na linguagem.

  • B)

    Na alusão à falta de articulações e reflexos do personagem, dando a entender que ele não possui o manejo dos jogos discursivos em todas as situações.

  • C)

    No comentário, feito em tom de censura pelo autor, sobre as frases obscenas que o personagem emite em determinados ambientes sociais.

  • D)

    Nas expressões que mostram tons opostos nos discursos empregados aleatoriamente pelo personagem em conversas com interlocutores variados.

  • E)

    No falso elogio à originalidade atribuída a esse personagem, responsável por seu sucesso no aprendizado das regras de linguagem da sociedade.

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Perguntas frequentes

O que significa a metáfora do títere na literatura?

Na literatura, a metáfora do títere representa a perda de autonomia do indivíduo, que se deixa manipular por forças externas, como normas sociais ou relações de poder, tornando-se um fantoche.

Como a crítica social aparece na obra de Samuel Rawet?

Rawet frequentemente critica a alienação e a hipocrisia social, especialmente em contextos urbanos, mostrando personagens que se moldam às expectativas alheias para obter vantagens.

Qual a relação entre linguagem e poder no conto 'O aprendizado'?

O personagem usa a linguagem como instrumento de poder, ajustando seu discurso conforme o interlocutor para conquistar favores ou demonstrar superioridade, revelando a manipulação como estratégia social.