Sobre o tema
A crônica "O negócio", de Dalton Trevisan, explora as relações de vizinhança com humor e ironia. O texto narra as investidas amorosas do velho Abílio e a imitação fracassada de um vizinho, revelando a malícia e a hipocrisia presentes no cotidiano. Trevisan, conhecido como "o vampiro de Curitiba", utiliza uma linguagem concisa e diálogos marcantes para retratar situações ambíguas, onde o adultério e a traição são tratados com naturalidade. A ironia é o recurso central, pois o narrador não julga, mas expõe as contradições humanas de forma sutil. Essa abordagem é típica da crônica brasileira, que mescla crítica social e leveza literária, convidando o leitor a refletir sobre os comportamentos sociais sem moralismo explícito.
Tópicos relacionados
- Ironia na literatura brasileira
- Dalton Trevisan e a crônica urbana
- Recursos expressivos em crônicas
- Relações de vizinhança na ficção
- Humor e crítica social em contos
Enunciado
O negócio
Grande sorriso do canino de ouro, o velho Abílio propõe às donas que se abastecem de pão e banana:
— Como é o negócio?
De cada três dá certo com uma. Ela sorri, não responde ou é uma promessa a recusa:
— Deus me livre, não! Hoje não…
Abílio interpelou a velha:
— Como é o negócio?
Ela concordou e, o que foi melhor, a filha também aceitou o trato. Com a dona Julietinha foi assim. Ele se chegou:
— Como é o negócio?
Ela sorriu, olhinho baixo. Abílio espreitou o cometa partir. Manhã cedinho saltou a cerca. Sinal combinado, duas batidas na porta da cozinha. A dona saiu para o quintal, cuidadosa de não acordar os filhos. Ela trazia a capa de viagem, estendida na grama orvalhada.
O vizinho espionou os dois, aprendeu o sinal. Decidiu imitar a proeza. No crepúsculo, pum-pum, duas pancadas fortes na porta. O marido em viagem, mas não era dia do Abílio. Desconfiada, a moça surgiu à janela e o vizinho repetiu:
— Como é o negócio?
Diante da recusa, ele ameaçou:
— Então você quer o velho e não quer o moço? Olhe que eu conto!
TREVISAN, D. Mistérios de Curitiba. Rio de Janeiro: Record, 1979 (fragmento).
Quanto à abordagem do tema e aos recursos expressivos, essa crônica tem um caráter
Alternativas
- A)
Filosófico, pois reflete sobre as mazelas sofridas pelos vizinhos.
- B)
Lírico, pois relata com nostalgia o relacionamento da vizinhança.
- C)
Irônico, pois apresenta com malícia a convivência entre vizinhos.
- D)
Crítico, pois deprecia o que acontece nas relações de vizinhança.
- E)
Didático, pois expõe uma conduta a ser evitada na relação entre vizinhos.
Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.
Comentarios (0)
Carregando comentarios...
Perguntas frequentes
O que é ironia na literatura?
Ironia é uma figura de linguagem em que o sentido real é oposto ao sentido literal, criando um contraste que pode gerar humor ou crítica. Em crônicas como a de Trevisan, a ironia revela hipocrisias sociais sem julgamento direto.
Quem é Dalton Trevisan?
Dalton Trevisan é um escritor brasileiro conhecido por suas crônicas e contos que retratam o cotidiano de Curitiba com linguagem concisa e temas como adultério, violência e hipocrisia. Sua obra é marcada pelo uso de ironia e humor negro.
Qual a diferença entre crônica e conto?
A crônica é um texto curto que aborda fatos do cotidiano com tom pessoal e reflexivo, muitas vezes publicado em jornais. O conto é uma narrativa ficcional mais estruturada, com enredo, personagens e clímax, podendo abordar temas universais.
Questões relacionadas
-  Os principais recursos utilizados para...
- Os melhores críticos da cultura brasileira trataram-na sempre no plural, isto é, enfatizando a coexistência no Brasil de...
-  O texto tem o objetivo de solucionar u...
- Gerente – Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo? Cliente – Estou interessado em financiamento para compra de veículo. ...