Sobre o tema
A discussão sobre a natureza da justiça é central na filosofia política. O sofista Trasímaco, personagem do diálogo A República de Platão, representa uma posição cética e relativista: ele nega que a justiça seja algo real ou objetivo, afirmando que ela é apenas uma convenção social imposta pelos mais fortes para beneficiar a si mesmos. Essa visão contrasta com a busca socrática por definições universais e imutáveis. Compreender o debate entre Sócrates e os sofistas é fundamental para entender as origens da ética e da teoria política ocidental, bem como as críticas ao relativismo moral. O pensamento de Trasímaco antecipa discussões contemporâneas sobre poder, ideologia e justiça social.
Tópicos relacionados
- Sofistas e relativismo moral
- Justiça em Platão: A República
- Convencionalismo vs. naturalismo ético
- Crítica socrática ao relativismo
- Relação entre poder e justiça
Enunciado
Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas.
RACHELS, J. Problemas da Filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.
O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, sustentava que a correlação entre justiça e ética é resultado de
Alternativas
- A)
Determinações biológicas impregnadas na natureza humana.
- B)
Verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais.
- C)
Mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas.
- D)
Convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes.
- E)
Sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.
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Perguntas frequentes
O que é o relativismo moral defendido pelos sofistas?
O relativismo moral sofista sustenta que os valores éticos são criação humana, variando conforme as sociedades e os interesses de quem detém o poder. Não existem verdades morais universais.
Qual o papel de Trasímaco no diálogo A República?
Trasímaco defende que a justiça é simplesmente a vantagem do mais forte, ou seja, as leis são feitas pelos governantes para beneficiar a si mesmos. Ele desafia Sócrates a provar que a justiça é algo bom em si mesmo.
Como Platão refuta a posição de Trasímaco?
Platão, por meio de Sócrates, argumenta que a justiça não é mera convenção, mas uma harmonia da alma e da cidade que promove o bem comum. A refutação envolve demonstrar que a injustiça enfraquece e leva à discórdia.