Ano 2015

Sobre o tema

Tomás de Aquino, filósofo e teólogo medieval, é conhecido por integrar o pensamento aristotélico à teologia cristã. Em sua obra "Do reino ou do governo dos homens", ele defende a monarquia como a forma ideal de governo, argumentando que, assim como um navio precisa de um piloto para alcançar seu destino, a sociedade necessita de um governante único para conduzi-la ao bem comum. Essa visão baseia-se na ideia de que todas as coisas ordenadas a um fim requerem um dirigente, e o homem, tendo um fim último (a felicidade eterna), precisa de uma autoridade que o oriente. A justificativa de Aquino para a monarquia não é simplesmente política, mas também teológica, refletindo sua crença na ordem divina e na necessidade de unidade. Compreender esse contexto é fundamental para analisar questões sobre filosofia política medieval e a relação entre poder temporal e espiritual.

Tópicos relacionados

  • Filosofia política medieval
  • Tomás de Aquino e o bem comum
  • Monarquia como regime ideal
  • Teleologia em Tomás de Aquino
  • Relação entre poder temporal e espiritual

Enunciado

Ora, em todas as coisas ordenadas a algum fim, é preciso haver algum dirigente, pelo qual se atinja diretamente o devido fim. Com efeito, um navio, que se move para diversos lados pelo impulso dos ventos contrários, não chegaria ao fim de destino, se por indústria do piloto não fosse dirigido ao porto; ora, tem o homem um fim, para o qual se ordenam toda a sua vida e ação. Acontece, porém, agirem os homens de modos diversos em vista do fim, o que a própria diversidade dos esforços e ações humanas comprova. Portanto, precisa o homem de um dirigente para o fim.

AQUINO, T. Do reino ou do governo dos homens: ao rei do Chipre. Escritos políticos de São Tomás de Aquino. Petrópolis: Vozes, 1995 (adaptado).

No trecho citado, Tomás de Aquino justifica a monarquia como o regime de governo capaz de

Alternativas

  • A)

    Refrear os movimentos religiosos contestatórios.

  • B)

    Promover a atuação da sociedade civil na vida política.

  • C)

    Unir a sociedade tendo em vista a realização do bem comum.

  • D)

    Reformar a religião por meio do retorno à tradição helenística.

  • E)

    Dissociar a relação política entre os poderes temporal e espiritual.

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Perguntas frequentes

O que é o bem comum na filosofia de Tomás de Aquino?

Para Tomás de Aquino, o bem comum é o fim último da sociedade, que consiste na realização da virtude e na obtenção da felicidade eterna. O governante deve orientar suas ações para promover esse bem, que transcende os interesses individuais.

Como Tomás de Aquino justifica a necessidade de um governante?

Aquino usa a analogia do navio e do piloto: assim como um navio precisa de um piloto para chegar ao porto, a sociedade precisa de um governante para conduzi-la ao seu fim, que é o bem comum. Essa necessidade decorre da diversidade de ações humanas e da necessidade de direção.

Qual a diferença entre o pensamento político de Tomás de Aquino e o de Aristóteles?

Embora Aquino se inspire em Aristóteles, ele acrescenta uma dimensão teológica: o fim último do homem não é apenas a vida virtuosa na polis, mas a visão beatífica de Deus. Assim, o governante deve também promover as condições para a salvação eterna.