Ano 2015#linguagens

Sobre o tema

O romance 'O Ateneu', de Raul Pompeia, é uma obra-prima do Realismo brasileiro que critica a educação elitista e mercantilizada do século XIX. O trecho descreve o colégio Ateneu e seu diretor, Dr. Aristarco, como uma instituição voltada para o lucro e a propaganda, onde a educação é tratada como mercadoria. A obra aborda temas como hipocrisia social, autoritarismo e a formação da elite brasileira. A crítica de Pompeia à mercantilização do ensino permanece atual, especialmente em contextos onde a educação é vista como negócio. Compreender essa crítica é essencial para analisar questões sobre ideologia educacional e poder.

Tópicos relacionados

  • O Ateneu de Raul Pompeia
  • Realismo brasileiro na literatura
  • Crítica à mercantilização do ensino
  • Ideologia educacional no século XIX
  • Literatura e sociedade

Enunciado

Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti.
Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha instalação.
Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos anúncios.
O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de pedagogo. Eram boletins de propaganda pelas províncias, conferências em diversos pontos da cidade, a pedidos, à substância, atochando a imprensa dos lugarejos, caixões, sobretudo, de livros elementares, fabricados às pressas com o ofegante e esbaforido concurso de professores prudentemente anônimos, caixões e mais caixões de volumes cartonados em Leipzig, inundando as escolas públicas de toda a parte com a sua invasão de capas azuis, róseas, amarelas, em que o nome de Aristarco, inteiro e sonoro, oferecia-se ao pasmo venerador dos esfaimados de alfabeto dos confins da pátria. Os lugares que não procuravam eram um belo dia surpreendidos pela enchente, gratuita, espontânea, irresistível! E não havia senão aceitar a farinha daquela marca para o pão do espírito.

POMPÉIA, R. O Ateneu. São Paulo: Scipione, 2005.

Ao descrever o Ateneu e as atitudes de seu diretor, o narrador revela um olhar sobre a inserção social do colégio demarcado pela:

Alternativas

  • A)

    Ideologia mercantil da educação, repercutida nas vaidades pessoais.

  • B)

    Interferência afetiva das famílias, determinantes no processo educacional.

  • C)

    Produção pioneira de material didático, responsável pela facilitação do ensino.

  • D)

    Ampliação do acesso à educação, com a negociação dos custos escolares.

  • E)

    Cumplicidade entre educadores e famílias, unidos pelo interesse comum do avanço social.

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Perguntas frequentes

Qual é a principal crítica social presente em 'O Ateneu'?

A principal crítica é à educação mercantilizada e à hipocrisia da elite brasileira, que valorizava a aparência e o lucro em detrimento da formação intelectual genuína.

Como Raul Pompeia utiliza a figura do diretor Aristarco para representar a educação da época?

Aristarco é retratado como um empresário da educação, que usa propaganda e material didático padronizado para atrair alunos, revelando a transformação do ensino em negócio.

Qual a relação entre 'O Ateneu' e o Realismo literário?

A obra se insere no Realismo por sua abordagem crítica, análise psicológica e denúncia das instituições sociais, como a escola, vista como reprodutora de desigualdades.

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