Ano 2016

Sobre o tema

A crônica de Affonso Romano de Sant'Anna, publicada em 2013, utiliza a repetição da frase 'Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que...' como recurso estilístico para contrastar o passado com o presente. A estratégia argumentativa não busca convencer sobre a veracidade dos fatos, mas sim despertar nostalgia e sensibilizar o leitor sobre as relações humanas mais afetivas e seguras de outrora. É um exemplo clássico de como a linguagem literária pode construir argumentos por meio da emoção, comum em crônicas e textos de opinião do ENEM.

Tópicos relacionados

  • Estratégias argumentativas em textos literários
  • Uso da repetição como recurso persuasivo
  • Crônica e sua função social
  • Nostalgia como elemento retórico
  • Interpretação de textos no ENEM

Enunciado

Você pode não acreditar

Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os leiteiros deixavam as garrafinhas de leite do lado de fora das casas, seja ao pé da porta, seja na janela.
A gente ia de uniforme azul e branco para o grupo, de manhãzinha, passava pelas casas e não ocorria que alguém pudesse roubar aquilo.
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os padeiros deixavam o pão na soleira da porta ou na janela que dava para a rua. A gente passava e via aquilo como uma coisa normal.
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que você saía à noite para namorar e voltava andando pelas ruas da cidade, caminhando displicentemente, sentindo cheiro de jasmim e de alecrim, sem olhar para trás, sem temer as sombras.
Você pode não acreditar: houve um tempo em que as pessoas se visitavam airosamente. Chegavam no meio da tarde ou à noite, Contavam casos, tomavam café, falavam da saúde, tricotavam sobre a vida alheia e voltavam de bonde às suas casas.
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o namorado primeiro ficava andando com a moça numa rua perto da casa dela, depois passava a namorar no portão, depois tinha ingresso na sala da família. Era sinal de que já estava praticamente noivo e seguro.
Houve um tempo em que havia tempo.
Houve um tempo.

SANT’ANNA, A. R. Estado de Minas. 5 maio 2013 (fragmento).

Nessa crônica, a repetição do trecho “Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que…” configura-se como uma estratégia argumentativa que visa

Alternativas

  • A)

    Surpreender o leitor com a descrição do que as pessoas faziam durante o seu tempo livre antigamente.

  • B)

    Sensibilizar o leitor sobre o modo como as pessoas se relacionavam entre si num tempo mais aprazível.

  • C)

    Advertir o leitor mais jovem sobre o mau uso que se faz do tempo nos dias atuais.

  • D)

    Incentivar o leitora organizar melhor o seu tempo sem deixar de ser nostálgico.

  • E)

    Convencer o leitor sobre a veracidade de fatos relativos à vida no passado.

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Perguntas frequentes

O que são estratégias argumentativas em textos literários?

São recursos usados pelo autor para convencer ou sensibilizar o leitor, como repetição, ironia, metáforas e exemplos. Na crônica, a repetição de 'Você pode não acreditar' cria cumplicidade e nostalgia.

Como a repetição pode ser usada para argumentar?

A repetição enfatiza uma ideia, gera ritmo e fixa uma mensagem no leitor. No texto, ela reforça a diferença entre passado e presente, sugerindo que o leitor duvide para depois concordar com a visão nostálgica.

Qual a importância da crônica como gênero textual?

A crônica aborda o cotidiano com leveza e crítica, muitas vezes usando humor ou nostalgia. É um gênero frequente no ENEM por sua capacidade de combinar narração e reflexão.