Sobre o tema
A representação do rosto humano na arte e na literatura modernas reflete as profundas transformações da subjetividade no século XX. A deformação, fragmentação ou destruição da imagem facial não é mera escolha estética, mas expressão de uma crise existencial desencadeada por eventos traumáticos como as guerras mundiais, totalitarismos e genocídios, além da revolução provocada pela psicanálise freudiana, que revelou a complexidade do inconsciente e a fragilidade da identidade. Artistas como Francis Bacon e escritores como Marguerite Duras utilizam essas deformações para comunicar a angústia, a alienação e a desintegração do eu diante de uma realidade histórica e psíquica fragmentada. Compreender esse contexto é essencial para interpretar as vanguardas e o modernismo, que romperam com a representação clássica do belo e do harmonioso.
Tópicos relacionados
- Subjetividade moderna na arte
- Francis Bacon e a pintura expressionista
- Psicanálise e fragmentação do eu
- Marguerite Duras e a literatura do trauma
- Estética do grotesco e modernismo
Enunciado
TEXTO I

BACON, F. Três estudos para um autorretrato. Óleo sobre tela, 37,5 x 31,8 cm (cada), 1974.
Disponível em: www.metmuseum.org. Acesso em: 30 maio 2016.
TEXTO II
Tenho um rosto lacerado por rugas secas e profundas, sulcos na pele. Não é um rosto desfeito, como acontece com pessoas de traços delicados, o contorno é o mesmo mas a matéria foi destruída. Tenho um rosto destruído.
DURAS, M. O amante. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
Na imagem e no texto do romance de Marguerite Duras, os dois autorretratos apontam para o modo de representação da subjetividade moderna. Na pintura e na literatura modernas, o rosto humano deforma-se, destrói-se ou fragmenta-se em razão
Alternativas
- A)
Da adesão à estética do grotesco, herdada do romantismo europeu, que trouxe novas possibilidades de representação.
- B)
Das catástrofes que assolaram o século XX e da descoberta de uma realidade psíquica pela psicanálise.
- C)
Da opção em demonstrarem oposição aos limites estéticos da revolução permanente trazida pela arte moderna.
- D)
Do posicionamento do artista do século XX contra a negação do passado, que se torna prática dominante na sociedade burguesa.
- E)
Da intenção de garantir uma forma de criar obras de arte independentes da matéria presente em sua história pessoal.
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Perguntas frequentes
Por que a representação do rosto se deforma na arte moderna?
A deformação reflete a crise do sujeito após as catástrofes do século XX e as descobertas da psicanálise sobre o inconsciente, mostrando a fragilidade e a complexidade da identidade humana.
Qual a relação entre psicanálise e a fragmentação da subjetividade na arte?
A psicanálise revelou que o eu não é una e estável, mas conflituoso e dividido, influenciando artistas a expressar essa fragmentação por meio de rostos deformados ou destruídos.
Como a literatura de Marguerite Duras exemplifica a subjetividade moderna?
Duras descreve o rosto como 'destruído', associando a degradação física à memória traumática e à passagem do tempo, em consonância com a estética moderna de representação da interioridade.