Sobre o tema
A relação entre línguas dominantes e línguas minoritárias é um tema central na sociolinguística e nos estudos de política linguística. Enquanto o inglês se consolidou como língua global, impulsionado pelo poder econômico e cultural, muitas línguas indígenas enfrentam risco de extinção. No entanto, o caso da língua ticuna, falada por cerca de 40 mil indígenas na Amazônia, mostra que o predomínio local pode garantir a sobrevivência linguística mesmo diante de contato com línguas majoritárias. Este contraste evidencia que o fator determinante para a vitalidade de uma língua não é apenas o número absoluto de falantes, mas sua posição relativa nas interações cotidianas. Compreender essas dinâmicas é essencial para políticas de preservação linguística e para o reconhecimento da diversidade cultural.
Tópicos relacionados
- Vitalidade linguística e domínio local
- Línguas ameaçadas de extinção
- Política linguística no Brasil
- Línguas isoladas como o ticuna
- Globalização e línguas minoritárias
Enunciado
TEXTO I
A língua ticuna é o idioma mais falado entre os indígenas brasileiros. De acordo com o pesquisador Aryon Rodrigues, há 40 mil índios que falam o idioma. A maioria mora ao longo do Rio Solimões, no Alto Amazonas. É a maior nação indígena do Brasil, sendo também encontrada no Peru e na Colômbia. Os ticunas falam uma língua considerada isolada, que não mantém semelhança com nenhuma outra língua indígena e apresenta complexidades em sua fonologia e sintaxe.
Sua característica principal é o uso de diferentes alturas na voz.
O uso intensivo da língua não chega a ser ameaçado pela proximidade de cidades ou mesmo pela convivência com falantes de outras línguas no interior da própria área ticuna: nas aldeias, esses outros falantes são minoritários e acabam por se submeter à realidade ticuna, razão pela qual, talvez, não representem uma ameaça linguística.
Lingua Portuguesa, n. 52, few 2010 (adaptado)
TEXTO II
Riqueza da língua
“O inglês está destinado a ser uma língua mundial em sentido mais amplo do que o latim foi na era passada e o francês é na presente”, dizia o presidente americano John Adams no século XVIII. A profecia se cumpriu o inglês é hoje a língua franca da globalização. No extremo oposto da economia linguística mundial, estão as línguas de pequenas comunidades declinantes. Calcula-se que hoje se falem de 6 000 a 7 000 línguas no mundo todo. Quase metade delas deve desaparecer nos próximos 100 anos, A última edição do Ethnologue – o mais abrangente estudo sobre as línguas mundiais -, de 2005, listava 516 línguas em risco de extinção.
Veja, n. 36, set 2007 (adaptado).
Os textos tratam de línguas de culturas completamente diferentes, cujas realidades se aproximam em função do(a)
Alternativas
- A)
Semelhança no modo de expansão.
- B)
Preferência de uso na modalidade falada.
- C)
Modo de organização das regras sintáticas.
- D)
Predomínio em relação às outras línguas de contato.
- E)
Fato de motivarem o desaparecimento de línguas minoritárias.
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Perguntas frequentes
O que é uma língua isolada?
Uma língua isolada é aquela que não possui parentesco comprovado com nenhuma outra língua, ou seja, não pertence a uma família linguística conhecida. Exemplo: a língua ticuna.
Por que algumas línguas indígenas sobrevivem ao contato com línguas majoritárias?
A sobrevivência depende do equilíbrio de poder demográfico e social. Se a comunidade indígena é numericamente majoritária e mantém suas práticas culturais, a língua tende a se preservar, como ocorre com o ticuna.
Quantas línguas estão em risco de extinção no mundo?
Segundo o Ethnologue (2005), 516 línguas estavam em risco de extinção. Estima-se que quase metade das 6.000 a 7.000 línguas existentes desapareça nos próximos 100 anos.