Ano 2019#ciencias-humanas

Enunciado

Menina
A máquina de costura avançava decidida sobre o pano, Que bonita que a mãe era, com os alfinetes na boca. Gostava de olhá-la calada, estudando seus gestos, enquanto recortava retalhos de pano com a tesoura. Interrompia às vezes seu trabalho, era quando a mãe precisava da tesoura. Admirava o jeito decidido da mãe ao cortar pano, não hesitava nunca, nem errava. A mãe sabia tanto! Tita chamava-a de ( ) como quem diz ( ). Tentava não pensar as palavras, mas sabia que na mesma hora da tentativa tinha-as pensado. Oh, tudo era tão difícil. A mãe saberia o que ela queria perguntar-lhe intensamente agora quase com fome depressa depressa antes de morrer, tanto que não se conteve e — Mamãe, o que é desquitada? — atirou rápida com uma voz sem timbre. Tudo ficou suspenso, se alguém gritasse o mundo acabava ou Deus aparecia — sentia Ana Lúcia. Era muito forte aquele instante, forte demais para uma menina, a mãe parada com a tesoura no ar, tudo sem solução podendo desabar a qualquer pensamento, a máquina avançando desgo – vernada sobre o vestido de seda brilhante espalhando luz luz luz.
ÂNGELO. I. Menina. In: A face horrível. São Paulo: Lazuli, 2017.
 
Escrita na década de 1960, a narrativa põe em evidência uma dramaticidade centrada na

Alternativas

  • A)

    Insinuação da lacuna familiar gerada pela ausência da figura paterna.

  • B)

    Associação entre a angústia da menina e a reação intempestiva da mãe.

  • C)

    Relação conflituosa entre o trabalho doméstico e a emancipação feminina.

  • D)

    Representação de estigmas sociais modulados pela perspectiva da criança.

  • E)

    Expressão de dúvidas existenciais intensificadas pela percepção do abandono.

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