Ano 2022#huggingface#maritaca-ai-enem#enem#enem-2022

Sobre o tema

A obra de Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista negra do Brasil, é um marco da literatura abolicionista. Seu conto 'A escrava' insere-se na estética romântica do século XIX e denuncia a escravidão sob uma perspectiva crítica e moral. O trecho apresentado contrasta os valores religiosos e cívicos com a prática escravocrata, expondo a hipocrisia de quem defende a escravidão em um século que supostamente valoriza a liberdade. A questão do ENEM explora essa crítica social, destacando como a literatura pode desmascarar contradições da sociedade brasileira da época. Compreender esse contexto é essencial para interpretar não apenas o texto, mas também o papel da literatura como instrumento de transformação social.

Tópicos relacionados

  • Romantismo abolicionista no Brasil
  • Maria Firmina dos Reis e sua obra
  • Crítica à escravidão no século XIX
  • Hipocrisia do discurso escravocrata
  • Literatura e denúncia social

Enunciado

A escrava ### Maria Firmina dos Reis — Admira-me —, disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —; faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira! Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me: — Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!… Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói? Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Inscrito na estética romântica da literatura brasileira, o conto descortina aspectos da realidade nacional no século 19 ao

Alternativas

  • A)

    revelar a imposição de crenças religiosas a pessoas escravizadas.

  • B)

    apontar a hipocrisia do discurso conservador na defesa da escravidão.

  • C)

    sugerir práticas de violência física e moral em nome do progresso material.

  • D)

    relacionar o declínio da produção agrícola e comercial a questões raciais.

  • E)

    ironizar o comportamento dos proprietários de terra na exploração do trabalho.

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Perguntas frequentes

Quem foi Maria Firmina dos Reis?

Maria Firmina dos Reis (1822-1917) foi a primeira romancista negra do Brasil, autora de 'Úrsula' e do conto 'A escrava'. Sua obra denuncia a escravidão e o racismo, representando uma voz pioneira na literatura abolicionista.

O que é o Romantismo abolicionista?

O Romantismo abolicionista é uma vertente da literatura romântica brasileira que, na segunda metade do século XIX, usou a sensibilidade e o idealismo para criticar a escravidão e defender a liberdade, como em obras de Castro Alves e Maria Firmina dos Reis.

Qual a importância do conto 'A escrava' para a literatura brasileira?

O conto 'A escrava' (1887) é importante por dar voz à perspectiva feminina e negra sobre a escravidão, expondo a hipocrisia da sociedade escravocrata e defendendo abolicionismo com argumentos religiosos e cívicos, sendo um precursor da literatura de denúncia social.