Sobre o tema
A obra de João do Rio, jornalista e escritor carioca do início do século XX, frequentemente abordava temas urbanos e a vida noturna do Rio de Janeiro. Em "O bebê de tarlatana rosa", o autor explora a complexidade moral do Carnaval, um período de liberação de instintos e quebra de convenções sociais. O narrador descreve sentimentos contraditórios de atração e repulsa diante das atitudes libertinas, refletindo uma crítica à hipocrisia social. A questão do ENEM 2022 examina essa dualidade, exigindo do candidato a capacidade de interpretar as emoções ambíguas do personagem. Compreender o contexto da Belle Époque carioca e as convenções literárias do pré-modernismo, com seu realismo descritivo e tendência à crônica, é essencial para analisar a passagem. João do Rio foi um mestre em capturar as contradições da sociedade, e essa questão testa a percepção do leitor sobre o conflito entre desejo e moral.
Tópicos relacionados
- Literatura pré-modernista no Brasil
- João do Rio e a crônica urbana
- Carnaval na literatura brasileira
- Dualidade moral e hipocrisia social
- Interpretação de sentimentos contraditórios
Enunciado
O bebê de tarlatana rosa João do Rio —[...] Na terça desliguei-me do grupo e caí no mar alto da depravação, só, com uma roupa leve por cima da pele e todos os maus instintos fustigados. De resto a cidade inteira estava assim. É o momento em que por trás das máscaras as meninas confessam paixões aos rapazes, é o instante em que as ligações mais secretas transparecem, em que a virgindade é dúbia, e todos nós a achamos inútil, a honra uma caceteação, o bom senso uma fadiga. Nesse momento tudo é possível, os maiores absurdos, os maiores crimes; nesse momento há um riso que galvaniza os sentidos e o beijo se desata naturalmente. Eu estava trepidante, com uma ânsia de acanalhar-me, quase mórbida. Nada de raparigas do galarim perfumadas e por demais conhecidas, nada do contato familiar, mas o deboche anônimo, o deboche ritual de chegar, pegar, acabar, continuar. Era ignóbil. Felizmente muita gente sofre do mesmo mal no carnaval. No texto, o personagem vincula ao carnaval atitudes e reações coletivas diante das quais expressa
Alternativas
- A)
consagração da alegria do povo.
- B)
atração e asco perante atitudes libertinas.
- C)
espanto com a quantidade de foliões nas ruas.
- D)
intenção de confraternizar com desconhecidos.
- E)
reconhecimento da festa como manifestação cultural.
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Perguntas frequentes
O que é o pré-modernismo na literatura brasileira?
O pré-modernismo é um período de transição entre o simbolismo e o modernismo, marcado por obras que refletem as transformações sociais do Brasil no início do século XX, com forte crítica social e linguagem coloquial.
Quem foi João do Rio e qual sua importância?
João do Rio (1881-1921) foi um jornalista e escritor carioca, pioneiro na crônica urbana. Seus textos retratam a vida noturna, a boemia e as contradições do Rio de Janeiro, destacando-se pelo realismo e pela análise psicológica.
Como o Carnaval é retratado na literatura brasileira?
O Carnaval na literatura é frequentemente visto como um momento de liberação de instintos, inversão de papéis sociais e quebra de normas, permitindo explorar temas como liberdade, sensualidade e hipocrisia.