Sobre o tema
A participação de pessoas transgênero no esporte de alto rendimento levanta debates sobre inclusão, justiça competitiva e regulamentações biológicas. O caso da halterofilista neozelandesa Laurel Hubbard, primeira mulher trans a competir nos Jogos Olímpicos, exemplifica os desafios enfrentados por atletas trans. O Comitê Olímpico Internacional (COI) estabeleceu limites de testosterona como critério para elegibilidade, baseando-se na premissa de que esse hormônio influencia o desempenho atlético. Essa regra revela um dilema: enquanto busca promover a inclusão, o esporte mantém categorias sexuais e impõe padrões biológicos que nem sempre refletem a diversidade humana. A questão do Enem 2023 aborda justamente os limites dessa inclusão, destacando o papel das características biológicas padronizadas.
Tópicos relacionados
- Transgêneros no esporte olímpico
- Testosterona e desempenho atlético
- Políticas de inclusão do COI
- Categorias sexuais no esporte
- Casos emblemáticos: Laurel Hubbard
Enunciado
A neozelandesa Laurel Hubbard fez história nos Jogos Olímpicos. Apesar de ter ficado de fora da disputa por medalhas, a levantadora de peso deixou sua marca na edição de Tóquio por ser a primeira mulher abertamente transgênero a participar de uma competição olímpica. No início da carreira, na década de 1990, a neozelandesa participava de disputas na categoria masculina. Em 2001, aos 23 anos, ela se afastou da atividade. “A pressão de tentar me encaixar em um mundo que talvez não tenha sido feito para pessoas como eu se tornou um fardo muito grande para suportar.” Em 2012, Laurel começou sua transição de gênero por meio de terapias hormonais e, em 2013, declarou abertamente ser uma mulher trans. Para o Comitê Olímpico Internacional, a participação de mulheres trans nos Jogos é permitida caso o nível de testosterona, hormônio que aumenta a massa muscular, esteja abaixo de 10 nanomols por litro por pelo menos 12 meses.
No texto, os limites do potencial inclusivo do esporte são dados pela
Alternativas
- A)
dificuldade de conseguir bons resultados esportivos.
- B)
dependência de características biológicas padronizadas.
- C)
inexistência de uma categoria para pessoas transgênero.
- D)
necessidade de afastamento temporário das competições.
- E)
impossibilidade de uso controlado de substâncias exógenas.
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Perguntas frequentes
Por que o COI usa o nível de testosterona como critério para atletas trans?
O COI adotou o limite de testosterona porque esse hormônio está associado ao aumento de massa muscular e força, visando equilibrar a competição entre atletas designadas mulheres ao nascer e mulheres trans que passaram pela puberdade masculina.
Quais são os principais argumentos contra a exigência de redução de testosterona?
Críticos apontam que a testosterona não é o único fator determinante de desempenho, que a medida pode ser invasiva e discriminatória, e que não há consenso científico sobre os efeitos da transição hormonal no rendimento atlético.
A categoria 'aberta' ou 'inclusiva' é uma solução viável para atletas trans?
Algumas modalidades consideram criar categorias abertas, mas isso ainda é controverso, pois poderia desestimular a participação de mulheres cisgênero e não resolveria questões de elegibilidade em competições de alto nível.