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Sobre o tema

A obra 'Sombras de reis barbudos', de José J. Veiga, é um marco da literatura brasileira do século XX, conhecida por seu realismo fantástico e crítica social. Publicada em 1972, durante o regime militar, a narrativa utiliza elementos alegóricos para representar a repressão política. O conto retrata uma 'Companhia' que impõe proibições arbitrárias e violentas, infundindo medo no cotidiano. Essa atmosfera reflete o período da ditadura militar brasileira, especialmente a década de 1970, marcada por censura, perseguições e controle social. A perspectiva infantil do protagonista intensifica a sensação de opressão, mostrando como o poder autoritário se infiltra nas ações mais simples. A questão do ENEM explora essa alegoria, pedindo que o aluno identifique o esboço do momento político representado. Compreender a relação entre literatura e contexto histórico é essencial para interpretar textos desse gênero.

Tópicos relacionados

  • Literatura brasileira contemporânea
  • Realismo fantástico de José J. Veiga
  • Alegoria política na ditadura militar
  • Medo e controle social na literatura
  • Interpretação de textos literários no ENEM

Enunciado

Sombras de reis barbudos José J. Veiga Enquanto estivemos entretidos com os urubus outras coisas andaram acontecendo na cidade. A Companhia baixou novas proibições, umas inteiramente bobocas, só pelo prazer de proibir (ninguém podia cuspir pra cima, nem carregar água em jacá, nem tapar o sol com peneira, como se todo mundo estivesse abusando dessas esquisitices); mas outras bem irritantes, como a de pular muro pra cortar caminho, tática que quase todo mundo que não sofria de reumatismo vinha adotando ultimamente, principalmente os meninos. E não confiando na proibição só, nem na força dos castigos, que eram rigorosos, a Companhia ainda mandou fincar cacos de garrafa nos muros. Achei isso um exagero, e comentei o assunto com mamãe. Meu pai ouviulá do quarto e veio explicar. Disse que em épocas normais bastava uma coisa ou outra; mas agora a Companhia não podia admitir nenhuma brecha em suas ordens; se alguém desobedecesse à proibição podia se cortar nos cacos; se alguém conseguisse pular um muro quebrando o corte de alguns cacos, ou jogando um couro por cima, era apanhado pela proibição, nhoc — e fez o gesto de quem torce o pescoço de um frango. Sob a perspectiva do menino que narra, os fatos ficcionais oferecem um esboço do momento político vigente na década de 1970, aqui representado pelo

Alternativas

  • A)

    culto ao medo, infiltrado em situações do cotidiano.

  • B)

    sentimento de dúvida quanto à veracidade das informações.

  • C)

    ambiente de sonho, delineado por imagens perturbadoras.

  • D)

    incentivo ao desenvolvimento econômico com a iniciativa privada.

  • E)

    espaço urbano marcado por uma política de isolamento das crianças.

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Perguntas frequentes

O que caracteriza o estilo literário de José J. Veiga?

Veiga é conhecido pelo realismo fantástico, onde elementos cotidianos se misturam a situações absurdas ou oníricas, frequentemente com crítica social e política.

Como a literatura brasileira abordou a ditadura militar?

Muitos autores usaram alegorias, metáforas e realismo fantástico para criticar o regime, já que a censura impedia manifestações diretas. Obras como de Veiga e Ignácio de Loyola Brandão são exemplos.

Por que o medo é um tema recorrente em obras sobre regimes autoritários?

O medo é uma ferramenta de controle social em ditaduras, inibindo a resistência. Na literatura, ele é explorado para mostrar o impacto psicológico e a opressão no dia a dia.