Ano 2023#huggingface#maritaca-ai-enem#enem#enem-2023

Sobre o tema

O texto 'A escravidão', de Olavo Bilac, publicado em 1902, reflete sobre a memória da escravidão no Brasil e seu apagamento ao longo do tempo. Bilac contrasta a vivência direta dos horrores pelos que nasceram sob o regime escravocrata com a percepção futura das gerações que só conhecerão esses eventos por meio de museus e relatos. A obra insere-se no contexto do pós-abolição (1888) e da Primeira República, quando o país buscava construir uma identidade nacional que muitas vezes omitia ou suavizava a violência racial. O poema critica a atenuação do sofrimento dos escravizados na memória coletiva e alerta para o risco de a indignação das gerações futuras ser insuficiente diante da distância histórica. A questão aborda a relação entre literatura, história e memória social, sendo relevante para compreender como o discurso literário pode denunciar o apagamento de traumas coletivos.

Tópicos relacionados

  • Literatura e memória da escravidão
  • Olavo Bilac e o Parnasianismo
  • Pós-abolição e identidade nacional
  • Apagamento histórico do trauma racial
  • Crítica social na poesia brasileira

Enunciado

A escravidão Olavo Bilac Esses meninos que aí andam jogando peteca não viram nunca um escravo... Quando crescerem, saberão que já houve no Brasil uma raça triste, votada à escravidão e ao desespero; e verão nos museus a coleção hedionda dos troncos, dos vira-mundos e dos bacalhaus; e terão notícias dos trágicos horrores de uma época maldita: filhos arrancados ao seio das mães, virgens violadas em pranto, homens assados lentamente em fornos de cal, mulheres nuas recebendo na sua mísera nudez desvalida o duplo ultraje das chicotadas e dos olhares do feitor bestial. [...] Mas a sua indignação nunca poderá ser tão grande como a daqueles que nasceram e cresceram em pleno horror, no meio desse horrível drama de sangue e lodo, sentindo dentro do ouvido e da alma, numa arrastada e contínua melopeia, o longo gemer da raça mártir — orquestração satânica de todos os soluços, de todas as impressões, de todos os lamentos que a tortura e a injustiça podem arrancar a gargantas humanas. Publicado em 1902, o texto de Olavo Bilac enfatiza as mazelas da escravidão no Brasil ao

Alternativas

  • A)

    descrever de modo impessoal as consequências da exploração racial sobre as gerações futuras.

  • B)

    contrapor a infância privilegiada das crianças da época à infância violentada das crianças escravizadas.

  • C)

    antecipar o futuro apagamento das marcas da escravidão no contexto social.

  • D)

    criticar a atenuação da violência contra os povos escravizados nas memórias retratadas pelos museus.

  • E)

    imaginar a reação de indiferença de seus contemporâneos com os escravizados libertos.

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Perguntas frequentes

Qual o papel da literatura na preservação da memória da escravidão?

A literatura atua como registro histórico e emocional, mantendo viva a memória dos horrores da escravidão e combatendo o apagamento social, como faz Bilac ao denunciar a atenuação do sofrimento no futuro.

O que é o Parnasianismo e como Olavo Bilac se insere nele?

O Parnasianismo é um movimento literário que valoriza a forma poética, a objetividade e a arte pela arte. Bilac é um de seus maiores expoentes no Brasil, mas em 'A escravidão' ele utiliza a estética parnasiana para criticar a realidade social.

Como o pós-abolição influenciou a produção literária brasileira?

Após a abolição em 1888, muitos escritores discutiram a integração dos negros na sociedade e a memória da escravidão, ora romantizando o passado, ora criticando o racismo e o apagamento histórico, como Bilac faz nesse texto.