Sobre o tema
O texto 'A escravidão', de Olavo Bilac, publicado em 1902, reflete sobre a memória da escravidão no Brasil e seu apagamento ao longo do tempo. Bilac contrasta a vivência direta dos horrores pelos que nasceram sob o regime escravocrata com a percepção futura das gerações que só conhecerão esses eventos por meio de museus e relatos. A obra insere-se no contexto do pós-abolição (1888) e da Primeira República, quando o país buscava construir uma identidade nacional que muitas vezes omitia ou suavizava a violência racial. O poema critica a atenuação do sofrimento dos escravizados na memória coletiva e alerta para o risco de a indignação das gerações futuras ser insuficiente diante da distância histórica. A questão aborda a relação entre literatura, história e memória social, sendo relevante para compreender como o discurso literário pode denunciar o apagamento de traumas coletivos.
Tópicos relacionados
- Literatura e memória da escravidão
- Olavo Bilac e o Parnasianismo
- Pós-abolição e identidade nacional
- Apagamento histórico do trauma racial
- Crítica social na poesia brasileira
Enunciado
A escravidão Olavo Bilac Esses meninos que aí andam jogando peteca não viram nunca um escravo... Quando crescerem, saberão que já houve no Brasil uma raça triste, votada à escravidão e ao desespero; e verão nos museus a coleção hedionda dos troncos, dos vira-mundos e dos bacalhaus; e terão notícias dos trágicos horrores de uma época maldita: filhos arrancados ao seio das mães, virgens violadas em pranto, homens assados lentamente em fornos de cal, mulheres nuas recebendo na sua mísera nudez desvalida o duplo ultraje das chicotadas e dos olhares do feitor bestial. [...] Mas a sua indignação nunca poderá ser tão grande como a daqueles que nasceram e cresceram em pleno horror, no meio desse horrível drama de sangue e lodo, sentindo dentro do ouvido e da alma, numa arrastada e contínua melopeia, o longo gemer da raça mártir — orquestração satânica de todos os soluços, de todas as impressões, de todos os lamentos que a tortura e a injustiça podem arrancar a gargantas humanas. Publicado em 1902, o texto de Olavo Bilac enfatiza as mazelas da escravidão no Brasil ao
Alternativas
- A)
descrever de modo impessoal as consequências da exploração racial sobre as gerações futuras.
- B)
contrapor a infância privilegiada das crianças da época à infância violentada das crianças escravizadas.
- C)
antecipar o futuro apagamento das marcas da escravidão no contexto social.
- D)
criticar a atenuação da violência contra os povos escravizados nas memórias retratadas pelos museus.
- E)
imaginar a reação de indiferença de seus contemporâneos com os escravizados libertos.
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Perguntas frequentes
Qual o papel da literatura na preservação da memória da escravidão?
A literatura atua como registro histórico e emocional, mantendo viva a memória dos horrores da escravidão e combatendo o apagamento social, como faz Bilac ao denunciar a atenuação do sofrimento no futuro.
O que é o Parnasianismo e como Olavo Bilac se insere nele?
O Parnasianismo é um movimento literário que valoriza a forma poética, a objetividade e a arte pela arte. Bilac é um de seus maiores expoentes no Brasil, mas em 'A escravidão' ele utiliza a estética parnasiana para criticar a realidade social.
Como o pós-abolição influenciou a produção literária brasileira?
Após a abolição em 1888, muitos escritores discutiram a integração dos negros na sociedade e a memória da escravidão, ora romantizando o passado, ora criticando o racismo e o apagamento histórico, como Bilac faz nesse texto.