Sobre o tema
A obra de João Guimarães Rosa é marcada pela experimentação linguística e pela valorização da oralidade. No conto 'Dão Lalalão', a narrativa explora como a tradição oral transforma a experiência de ouvir histórias, destacando o papel do contador como mediador entre o enredo e o público. A questão do ENEM 2023 analisa esse fenômeno, exigindo do aluno a percepção de que o encanto não está no conteúdo em si, mas na forma como ele é transmitido. Compreender a função do narrador na literatura modernista brasileira é essencial para interpretar textos que valorizam a subjetividade e a performance.
Tópicos relacionados
- Oralidade na literatura modernista
- Narrador e contador de histórias
- Função da linguagem em Guimarães Rosa
- Performance narrativa no conto
Enunciado
Dão Lalalão João Guimarães Rosa Do povoado do Ão, ou dos sítios perto, alguém precisava urgente de querer vir por escutar a novela do rádio. Ouvia-a, aprendia-a, guardava na ideia, e, retornado ao Ão, no dia seguinte, a repetia a outros. Assim estavam jantando, vinham os do povoado receber a nova parte da novela do rádio. Ouvir já tinham ouvido tudo, de uma vez, fugia da regra: falhara ali no Ão, na véspera, o caminhão de um comprador de galinhas e ovos, seo Abrãozinho Buristém, que carregava um rádio pequeno, de pilhas, armara um fio no arame da cerca... Mas queriam escutar outra vez, por confirmação. — “A estória é estável de boa, mal que acompridada: taca e não rende...” — explicava o Zuz ao Dalberto. Soropita começou a recontar o capítulo da novela. Sem trabalho, se recordava das palavras, até com clareza — disso se admirava. Contava com prazer de demorar, encher a sala com o poder de outros altos personagens. Tomar a atenção de todos, pudesse contar aquilo noite adiante. Era preciso trazer luz, nem uns enxergavam mais os outros; quando alguém ria, ria de muito longe. O capítulo da novela estava terminando. Nesse trecho do conto, o gosto dos moradores do povoado por ouvir a novela de rádio recontada por Soropita deve-se ao(à)
Alternativas
- A)
qualidade do som do rádio.
- B)
estabilidade do enredo contado.
- C)
ineditismo do capítulo da novela.
- D)
jeito singular de falar aos ouvintes.
- E)
dificuldade de compreensão da história.
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Perguntas frequentes
O que caracteriza a oralidade na literatura de Guimarães Rosa?
A oralidade é marcada por neologismos, inversões sintáticas e ritmo que imitam a fala popular, recriando a vivacidade da comunicação oral.
Qual a diferença entre narrador e contador de histórias na literatura?
O narrador é uma figura literária que organiza o discurso, enquanto o contador de histórias pode ser um personagem que performa a narrativa, enfatizando a interação com o público.
Por que o enredo da novela é menos importante que a forma de contá-lo no conto?
Porque o prazer dos ouvintes deriva da performance de Soropita, que recria a história com emoção e personalidade, valorizando o ato de contar em si.