Ano 2023#linguagens

Sobre o tema

A obra de João Guimarães Rosa é reconhecida por sua profunda exploração da oralidade e da cultura sertaneja. Em 'Noites do Sertão', o autor utiliza uma linguagem que mescla regionalismos e inovações estilísticas para retratar as tradições do interior brasileiro. A prática de recontar histórias, especialmente novelas de rádio, era uma forma de entretenimento e coesão social nas comunidades rurais antes da eletrificação generalizada. O contador de histórias, como Soropita, desempenhava um papel central, não apenas transmitindo informações, mas recriando narrativas com sua própria entonação e expressividade. Essa valorização da fala e do gesto é um tema recorrente na literatura brasileira, destacando a importância da transmissão oral na preservação da cultura popular.

Tópicos relacionados

  • Guimarães Rosa e a oralidade
  • Função do contador de histórias no sertão
  • Novela de rádio como prática cultural
  • Linguagem regionalista na literatura brasileira
  • Valorização da fala em 'Noites do Sertão'

Enunciado

Dão Lalalão
Do povoado do Ão, ou dos sítios perto, alguém precisava urgente de querer vir por escutar a novela do rádio. Ouvia-a, aprendia-a, guardava na ideia, e, retornado ao Ão, no dia seguinte, a repetia a outros.

Assim estavam jantando, vinham os do povoado receber a nova parte da novela do rádio. Ouvir já tinham ouvido tudo, de uma vez, fugia da regra: falhara ali no Ão, na véspera, o caminhão de um comprador de galinhas e ovos, seo Abrãozinho Buristém, que carregava um rádio pequeno, de pilhas, armara um fio no arame da cerca… Mas queriam escutar outra vez, por confirmação. — “A estória é estável de boa, mal que acompridada: taca e não rende…” — explicava o Zuz ao Dalberto.

Soropita começou a recontar o capitulo da novela. Sem trabalho, se recordava das palavras, até com clareza — disso se admirava. Contava com prazer de demorar, encher a sala com o poder de outros altos personagens. Tomar a atenção de todos, pudesse contar aquilo noite adiante. Era preciso trazer luz, nem uns enxergavam mais os outros; quando alguém ria, ria de muito longe. O capitulo da novela estava terminando.

ROSA, J. G. Noites do sertão (Corpo de baile). São Paulo: Global, 2021.

Nesse trecho do conto, o gosto dos moradores do povoado por ouvir a novela de rádio recontada por Soropita deve-se ao(à)

Alternativas

  • A)

    Qualidade do som do rádio.

  • B)

    Estabilidade do enredo contado.

  • C)

    Ineditismo do capítulo da novela.

  • D)

    Jeito singular de falar aos ouvintes.

  • E)

    Dificuldade de compreensão da história.

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Perguntas frequentes

Por que Guimarães Rosa valoriza tanto a oralidade em sua obra?

Rosa buscava capturar a essência da cultura sertaneja, onde a tradição oral é central para a transmissão de histórias e valores. A oralidade também permitia inovações linguísticas que enriquecem a narrativa.

Qual a importância das novelas de rádio para as comunidades rurais do Brasil?

As novelas de rádio eram uma das poucas formas de entretenimento e informação disponíveis, promovendo a interação social e a criação de uma identidade cultural compartilhada.

Como a figura do contador de histórias é retratada na literatura brasileira?

O contador de histórias é frequentemente visto como um guardião da memória coletiva, capaz de recriar narrativas com emoção e personalidade, como exemplificado por personagens como Soropita.

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