Sobre o tema
O texto de Eliane Brum aborda a relação entre linguagem, poder e exclusão social, argumentando que os usos especializados da linguagem por profissionais como advogados, médicos e burocratas servem para manter privilégios e impedir que a maioria da população compreenda decisões que afetam suas vidas. Essa crítica revela como a linguagem pode ser uma ferramenta de opressão. A questão do ENEM testa a capacidade de identificar a estratégia argumentativa central do texto: criticar o obstáculo criado pela linguagem técnica. Compreender essa dinâmica é essencial para analisar criticamente discursos de poder e refletir sobre a democratização do conhecimento.
Tópicos relacionados
- Linguagem e poder
- Exclusão social pela linguagem
- Jargões profissionais e elitismo
- Análise de argumentação em textos
- Função social da linguagem
Enunciado
No princípio era o verbo. A frase que abre o primeiro capítulo do Evangelho de João e remete à criação do mundo, assim como também faz o Gênesis, é a mais famosa da Bíblia. A ideia de que o mundo é criado pela palavra, porém, é tão estruturante que está presente em outras religiões, para muito além das fundadas no cristianismo. Como humanos, a linguagem é o mundo que habitamos. Basta tentar imaginar um mundo em que não podemos usar palavras para dizer de nós e dos outros para compreender o que isso significa. Ou um mundo em que aquilo que você diz não é entendido pelo outro, e o que o outro diz não é entendido por você.
O que acontece então quando a palavra é destruída e, com ela, a linguagem?
Durante séculos, em diferentes sociedades e línguas, é importante lembrar, a linguagem serviu — e ainda serve — para manter privilégios de grupos de poder e deixar todos os outros de fora. Quem entende linguagem de advogados, juízes e promotores, linguagem de médicos, linguagem de burocratas, linguagem de cientistas? A maior parte da população foi submetida à violência de proposital mente ser impedida de compreender a linguagem daqueles que determinam seus destinos.
Se o princípio é o verbo, o fim pode ser o silenciamento. Mesmo que ele seja cheio de gritos entre aqueles que já não têm linguagem comum para compreender uns aos outros.
BRUM, E. Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 5 nov. 2021.
Nesse texto, a estratégia usada para convencer o leitor de que uma grande parcela da população não compreende a linguagem daqueles que detêm o poder foi
Alternativas
- A)
Revelar a origem religiosa da linguagem.
- B)
Questionar o temor sobre o futuro da linguagem.
- C)
Descrever a relação entre sociedade e linguagem.
- D)
Apresentar as consequências do esfacelamento da linguagem.
- E)
Criticar o obstáculo promovido pelos usos especializa- dos da linguagem.
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Perguntas frequentes
Como a linguagem pode ser usada como instrumento de poder?
Grupos dominantes utilizam linguagens especializadas para restringir o acesso ao conhecimento e manter privilégios, excluindo a maioria da participação em decisões importantes.
O que são 'usos especializados da linguagem'?
São jargões técnicos de áreas como Direito, Medicina e burocracia, que dificultam a compreensão por pessoas leigas, criando barreiras comunicativas.
Qual a importância de analisar a argumentação em textos como o de Eliane Brum?
A análise argumentativa permite identificar a tese do autor e os recursos usados para convencer, como exemplos, perguntas retóricas e críticas sociais.
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