Ano 2023#linguagens

Sobre o tema

A questão aborda a representação feminina em mídias e sua relação com construções sociais de gênero. O Texto I critica um episódio de 'Os Jetsons' que perpetua piadas machistas, refletindo uma visão limitada de futuro que mantém desigualdades. O Texto II explica que masculino e feminino são formações imaginárias, definidas por oposição e historicamente ligadas à separação entre espaço público (masculino) e privado (feminino). A análise conjunta evidencia como representações culturais cristalizam estereótipos, impedindo avanços nas relações sociais. O tema é relevante para estudos de gênero, análise crítica da mídia e sociologia, mostrando como discursos midiáticos podem reforçar ou desafiar normas estabelecidas.

Tópicos relacionados

  • Representação feminina na mídia
  • Construção social de gênero
  • Estereótipos em desenhos animados
  • Espaço público versus privado
  • Análise crítica da cultura pop

Enunciado

TEXTO I
Zapeei os canais, como há dezenas de anos faço, e pá: parei num que exibia um episódio daquela velha família do futuro, Os Jetsons.
Nesse episódio em particular, a Jane Jetson, esposa do George, tratava de dirigir aquele veículo voador deles. Meu queixo foi caindo à medida que as piadinhas machistas sobre mulheres dirigirem foram se acumulando.
Impressionante! Que futuro careta aqueles roteiristas imaginavam! Seriam incapazes de projetar algo melhor, e não apenas em termos de tecnologias, robôs e carros voadores? Será que nossa máxima visão de futuro só atinge as coisas, e jamais as pessoas? Como a Jane, uma mulher de 33 anos no desenho, poderia ser o que foram as minhas bisavós?
O futuro, naquele desenho, se esqueceu de ser melhor nas relações entre as pessoas. Aliás… tão parecido com a vida.
Fiquei de cara, como dizemos aqui, ou como dizíamos na minha adolescência, pobre adolescência, aprendendo, sem querer e sem muita defesa, um futuro tão besta quanto o passado.

RIBEIRO, A. E. Disponível em: www.rascunho.com.br. Acesso em: 21 out. 2021 (adaptado).

TEXTO II
Masculino e feminino são campos escorregadios que só se definem por oposição, sempre incompleta, um do outro. São formações imaginárias que buscam produzir uma diferença radical e complementar onde só existem, de fato, mínimas diferenças. O resto é questão de estilo. Até pelo menos a segunda metade do século 19, o divisor de águas era claro: os homens ocupavam o espaço público. As mulheres tratavam da vida privada. Privada de quê? De visibilidade, diria Hannah Arendt. De visibilidade pública. Do que as mulheres estiveram privadas até o século 20 foi de presença pública manifesta não em imagem, mas em palavra. A palavra feminina, reservada ao espaço doméstico, não produzia diferença na vida social.

KHEL, M. R. Disponível em: https://alias.estadao.com.br. Acesso em: 19 out. 2021 (adaptado).

A representação da mulher apresentada no Texto I pode ser explicada pelo Texto II no que diz respeito à(às)

Alternativas

  • A)

    Censura a formas de expressão femininas.

  • B)

    Ausência da figura feminina na vida pública.

  • C)

    Construções imaginárias cristalizadas na sociedade.

  • D)

    Limitações inerentes às figuras femininas e masculinas.

  • E)

    Dificuldade na atribuição de papéis masculinos e femininos.

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Perguntas frequentes

O que são formações imaginárias de gênero?

São concepções culturalmente construídas sobre o que é ser masculino ou feminino, baseadas em oposições e não em diferenças reais, conforme explica o Texto II.

Como a mídia pode cristalizar estereótipos de gênero?

Ao repetir representações limitadas, como piadas sobre mulheres dirigirem, a mídia reforça normas sociais e dificulta a evolução das relações, como criticado no Texto I.

Qual a relação entre espaço público e gênero?

Historicamente, homens ocupavam o espaço público (política, trabalho) e mulheres o privado (casa), o que as privava de visibilidade e palavra pública, como aponta o Texto II.

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