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Sobre o tema

A classificação das variedades linguísticas é um tema central nos estudos da linguagem, especialmente no contexto do ENEM. As variações podem ser regionais (diatópicas), sociais (diastráticas), situacionais (diafásicas), históricas (diacrônicas) ou ocupacionais, entre outras. A variedade ocupacional refere-se ao uso de termos e expressões específicos de uma profissão ou área de conhecimento, como ocorre com o filólogo Evanildo Bechara, que emprega vocabulário técnico próprio da gramática e da lexicologia. Compreender essas distinções é essencial para analisar adequadamente textos que retratam falas de diferentes personagens, identificando se a marca linguística vem da origem geográfica, do nível sociocultural, da idade, do contexto imediato ou da formação profissional do falante.

Tópicos relacionados

  • Variedade linguística ocupacional
  • Diferença entre variação social e regional
  • Análise de fala e discurso
  • Evanildo Bechara e a filologia
  • Linguagem técnica vs. cotidiana

Enunciado

Evanildo Bechara prepara a sua aposentadoria de pouco em pouco, como se a adiasse ao máximo. Aos 95 anos, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) alcançou um status de astro pop no mundo da filologia e da gramática. Quando ainda tinha saúde para viagens mais longas, o filólogo lotava plateias em suas palestras na Europa e no Brasil, que não raro terminavam com filas para selfies.
A idade acentuou o lado “cientista” e professoral de Bechara, que adota um tom técnico na conversa até mesmo diante das perguntas mais pessoais. — “Qual o seu tipo preferido de leitura?”. — “A minha leitura está dividida em duas partes, a científica e a literária, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre elas.” — responde.
Ainda adolescente, Bechara descobriu a lexicologia. Um “novo mundo” se abriu para o pernambucano, que se mantém atento às metamorfoses do nosso idioma. Seu colega de ABL, o filólogo Ricardo Cavaliere, se lembra de quando deu carona para o mestre e este encucou com os estrangeirismos do aplicativo de navegação instalado no veículo. — “A vozinha do aplicativo avisou que havia um radar de velocidade ‘reportado’ à frente”, lembra Cavaliere. — “Esse ‘reportado’ é uma importação, né?”, notou Bechara.
Nesse texto, as falas atribuídas a Evanildo Bechara são representativas da variedade linguística

Alternativas

  • A)

    situacional, pois o contexto exige o uso da linguagem formal.

  • B)

    regional, pois ele traz marcas do falar de seu local de nascimento.

  • C)

    sociocultural, pois sua formação pressupõe o uso de linguagem rebuscada.

  • D)

    geracional, pois ele emprega termos característicos de sua faixa etária.

  • E)

    ocupacional, pois ele faz uso de termos específicos de sua área de atuação.

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Perguntas frequentes

O que é variedade linguística ocupacional?

É o uso de termos, jargões e expressões específicos de uma profissão, ofício ou área de conhecimento, como médicos ao falar de diagnósticos ou gramáticos ao discutir regras da língua.

Como diferenciar variação regional de variação sociocultural?

A variação regional está ligada ao local de origem do falante (sotaque, vocabulário típico), enquanto a variação sociocultural reflete seu nível de escolaridade, classe social e acesso à cultura erudita.

Por que a fala de Evanildo Bechara não é um exemplo de variação geracional?

Embora ele tenha 95 anos, os termos que usa ('lexicologia', 'importação lingüística') não são típicos da idade, mas sim de sua formação como filólogo, caracterizando variação ocupacional.