Ano 2018#history

Sobre o tema

Em 1818, a corte portuguesa instalada no Rio de Janeiro desde 1808 vivia um período de intensas transformações. O jornal Correio Braziliense, editado em Londres por Hipólito José da Costa, era um importante veículo de circulação de ideias liberais e críticas ao absolutismo. O excerto de julho de 1818 reflete a preocupação com os movimentos de independência na América espanhola, que se intensificavam liderados por Simón Bolívar e José de San Martín. Essas revoltas ameaçavam reconfigurar o mapa político do continente, e D. João VI precisava decidir se retornava a Portugal ou permanecia no Brasil para garantir seus domínios. O texto destaca que a presença do monarca na América lhe daria mais influência sobre os acontecimentos, enquanto uma volta prematura a Lisboa o deixaria de fora das negociações que a 'nova ordem de coisas' traria. Assim, a questão aborda o dilema joanino diante do colapso do império espanhol e seus reflexos no Brasil português.

Tópicos relacionados

  • Transmigração da corte portuguesa para o Brasil
  • Correio Braziliense e Hipólito José da Costa
  • Independências na América espanhola (1810-1825)
  • Período joanino no Brasil (1808-1821)
  • Revolução Liberal do Porto (1820)

Enunciado

Na edição de julho de 1818 do Correio Braziliense, o jornalista
Hipólito José da Costa, residente em Londres, publicou a
seguinte avaliação sobre os dilemas então enfrentados pelo
Império português na América:

A presença de S.M. [Sua Majestade Imperial] no Brasil lhe dará
ocasião para ter mais ou menos influência naqueles
acontecimentos; a independência em que el-rei ali se acha das
intrigas europeias o deixa em liberdade para decidir-se nas
ocorrências, segundo melhor convier a seus interesses. Se volta
para Lisboa, antes daquela crise se decidir, não poderá tomar
parte nos arranjamentos que a nova ordem de coisas deve
ocasionar na América.

Nesse excerto, o autor referia-se

Alternativas

  • A)

    aos desdobramentos da Revolução Pernambucana do ano
    anterior, que ameaçara o domínio português sobre o
    centro-sul do Brasil.

  • B)

    às demandas da Revolução Constitucionalista do Porto,
    exigindo a volta imediata do monarca a Portugal.

  • C)

    à posição de independência de D. João VI em relação às
    pressões da Santa Aliança para que interviesse nas guerras
    do rio da Prata.

  • D)

    às implicações que os movimentos de independência na
    América espanhola traziam para a dominação portuguesa
    no Brasil.

  • E)

    ao projeto de D. João VI para que seu filho D. Pedro se
    tornasse imperador do Brasil independente.

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Perguntas frequentes

Qual era a posição de D. João VI em relação às independências na América espanhola?

D. João VI temia que os movimentos se espalhassem para o Brasil, mas também via neles uma oportunidade para expandir a influência portuguesa. Ele adotou uma postura de neutralidade cautelosa, evitando intervenções diretas.

O que foi o Correio Braziliense e qual sua importância?

Foi o primeiro jornal brasileiro, fundado em Londres por Hipólito José da Costa em 1808. Defendia ideias liberais, críticas ao absolutismo e era um canal de debate político entre a elite luso-brasileira.

Por que a presença de D. João no Brasil era vista como estratégica para manter a colônia?

Sua permanência fortalecia a autoridade real e permitia acompanhar de perto as crises na América espanhola, evitando uma ruptura imediata. A volta a Portugal poderia fragilizar o controle sobre o Brasil e deixá-lo vulnerável às ondas independentistas.

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