Ano 2018#portuguese

Sobre o tema

O uso de orações clivadas é um recurso expressivo comum na língua portuguesa para enfatizar um termo ou ideia. Estruturas como 'é que' permitem destacar um elemento da oração, criando um efeito de realce. Em 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', Machado de Assis emprega 'Verdade é que' para sublinhar a veracidade de uma afirmação, enquanto Helena Morley, em 'Minha vida de menina', utiliza 'é que' para enfatizar uma condição hipotética. Ambos os autores recorrem a essa construção para dar ênfase, demonstrando a versatilidade do recurso tanto na literatura canônica quanto na escrita coloquial. Reconhecer esses padrões é fundamental para a análise estilística e interpretação textual.

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  • Recursos expressivos de ênfase
  • Análise estilística em Machado de Assis
  • Figuras de linguagem na prosa brasileira
  • Estrutura 'é que' como realce

Enunciado

TEXTOS PARA AS QUESTÕES 72 E 73
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a
celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não
conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas,
coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do
meu rosto. Mais; não padeci a morte de dona Plácida, nem a
semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e
outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem
sobra, e, conseguintemente, que saí quite com a vida. E
imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério,
achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa
deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a
nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

Não sei por que até hoje todo o mundo diz que tinha
pena dos escravos. Eu não penso assim. Acho que se fosse
obrigada a trabalhar o dia inteiro não seria infeliz. Ser obrigada
a ficar à toa é que seria castigo para mim. Mamãe às vezes diz
que ela até deseja que eu fique preguiçosa; a minha esperteza
é que a amofina. Eu então respondo: "Se eu fosse preguiçosa
não sei o que seria da senhora, meu pai e meus irmãos, sem
uma empregada em casa".

Helena Morley, Minha vida de menina.

Nos dois textos, obtém-se ênfase por meio do emprego de um
mesmo recurso expressivo, como se pode verificar nos
seguintes trechos:

Alternativas

  • A)

    "Este último capítulo é todo de negativas" / "Eu não penso
    assim".

  • B)

    "Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro,
    não fui califa, não conheci o casamento" / "Não sei por que
    até hoje todo o mundo diz que tinha pena dos escravos".

  • C)

    "Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa
    fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto" /
    "Ser obrigada a ficar à toa é que seria castigo para mim".

  • D)

    "qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem
    sobra" / "Mamãe às vezes diz que ela até deseja que eu
    fique preguiçosa".

  • E)

    "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado
    da nossa miséria" / "Acho que se fosse obrigada a trabalhar
    o dia inteiro não seria infeliz".

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Perguntas frequentes

O que são orações clivadas?

São estruturas que dividem uma oração simples em duas partes para enfatizar um elemento específico, geralmente usando 'é que' ou 'é ... que'.

Como Machado de Assis utiliza ênfase em 'Memórias Póstumas'?

Ele emprega repetições e construções clivadas, como 'Verdade é que', para destacar contrastes e ironias, guiando a atenção do leitor.

Por que a ênfase é importante em textos literários?

A ênfase direciona a interpretação, cria efeitos estilísticos como ironia ou surpresa, e reforça temas centrais da obra.

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