Ano 2018#portuguese

Sobre o tema

O romance 'Minha vida de menina', de Helena Morley, é um clássico da literatura brasileira que retrata a vida em Diamantina no final do século XIX através do diário da jovem Helena. O crítico Alexandre Eulálio destaca a protagonista como um exemplo de coexistência de dois mundos culturais divergentes: a influência britânica, protestante e liberal herdada da família, contrastando com o ambiente ibérico, católico e pós-escravista. Essa dualidade se manifesta na capacidade de Helena criticar seu meio com precisão, sem deixar de amá-lo, refletindo um equilíbrio harmonioso de contradições. A questão pede o trecho que melhor ilustra essa fusão cultural, sendo a alternativa C a correta, onde a personagem planeja vender um broche para comprar um vestido e conversa com Nossa Senhora, mesclando pragmatismo e religiosidade.

Tópicos relacionados

  • Minha vida de menina de Helena Morley
  • Análise literária de Alexandre Eulálio
  • Coexistência de culturas na literatura brasileira
  • Influência britânica e catolicismo no Brasil
  • Protagonista Helena e dualidade cultural

Enunciado

TEXTO PARA AS QUESTÕES 74 E 75
Voltada para o encanto da vida livre do pequeno núcleo
aberto para o campo, a jovem Helena, familiar a todas as
classes sociais daquele âmbito, estava colocada num invejável
ponto de observação. (...)
Sem querer forçar um conflito que, a bem dizer, apenas
se esboça, podemos atribuir parte desta grande versatilidade
psicológica da protagonista aos ecos de uma formação
britânica, protestante, liberal, ressoando num ambiente de
corte ibérico e católico, mal saído do regime de trabalho
escravo. Colorindo a apaixonada esfera de independência da
juventude, reveste-se de acentuado sabor sociológico este caso
da menina ruiva que, embora inteiramente identificada com o
meio de gente morena que é o seu, o único que conhece e ama,
não vacila em o criticar com precisão e finura notáveis, se essa
lucidez não traduzisse a coexistência íntima de dois mundos
culturais divergentes, que se contemplam e se julgam no
interior de um eu tornado harmonioso pelo equilíbrio mesmo de
suas contradições.

Alexandre Eulálio, "Livro que nasceu clássico".
In: Helena Morley, Minha vida de menina.

O trecho do romance Minha vida de menina que ilustra de
modo mais preciso o que, para o crítico Alexandre Eulálio,
representa "a coexistência íntima de dois mundos culturais
divergentes" é:

Alternativas

  • A)

    "Se há uma coisa que me faz muita tristeza é gostar muito
    de uma pessoa, pensando que ela é boa e depois ver que é
    ruim".

  • B)

    "Eu tinha muita inveja de ver meus irmãos montarem no
    cavalo em pelo, mas agora estou curada e não montarei
    nunca mais na minha vida".

  • C)

    "Já refleti muito desde ontem e vi que o único meio de ter
    vestido é vendendo o broche. Vou dormir ainda esta noite
    com isto na cabeça e vou conversar com Nossa Senhora
    tudo direitinho".

  • D)

    "Se eu não ouvir missa no domingo, como quando estou na
    Boa Vista onde não há igreja e não posso ouvir no Bom
    Sucesso, fico o dia todo com um prego na consciência me
    aferroando".

  • E)

    "Este ano saiu à rua a procissão de Cinzas que há muitos
    anos não havia. Dizem que não saía há muito tempo por
    falta de santos, porque muitos já estavam quebrados".

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Perguntas frequentes

Quem foi Helena Morley e qual a importância de 'Minha vida de menina'?

Helena Morley é o pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant, autora de 'Minha vida de menina', um diário real da adolescência em Diamantina (MG) no século XIX, considerado um clássico da literatura brasileira por seu retrato autêntico da sociedade e da psicologia juvenil.

O que significa 'coexistência íntima de dois mundos culturais divergentes' no contexto da obra?

Refere-se à dualidade cultural vivida pela protagonista Helena, que herda valores protestantes e liberais de sua família britânica, mas vive em um ambiente católico e ibérico pós-escravocrata, resultando em uma personalidade que critica e ama seu meio simultaneamente.

Como a alternativa C exemplifica essa dualidade cultural?

No trecho, Helena decide vender um broche para comprar um vestido (atitude pragmática, associada ao espírito liberal) e planeja conversar com Nossa Senhora (devoção católica), mostrando a fusão entre racionalidade e religiosidade.

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