Sobre o tema
O texto de Ricardo Freire discute a proliferação de verbos terminados em "-ilizar" na língua portuguesa brasileira, muitas vezes oriundos de traduções literais do inglês, especialmente nas áreas de marketing e administração. O autor critica a substituição de verbos já existentes e claros por esses neologismos, considerando-os desnecessários e prejudiciais à eufonia e clareza da língua. O tema aborda fenômenos linguísticos como estrangeirismos, neologismos e purismo linguístico, sendo relevante para o estudo da influência do inglês no português contemporâneo.
Tópicos relacionados
- Verbos em -ilizar no português
- Influência do inglês no português
- Neologismos e estrangeirismos
- Crítica a traduções literais
- Purismo linguístico
Enunciado
Sim, estou me associando à campanha nacional contra os
verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito, daqui a pouco
eles serão mais numerosos do que os terminados simplesmente
em "ar". Todos os dias os maus tradutores de livros de
5 marketing e administração disponibilizam mais e mais termos
infelizes, que imediatamente são operacionalizados pela mídia,
reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente
claras e eufônicas.
A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos,
10 com currículo de ótimos serviços prestados, estão a ponto de
cair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois que
você fica alérgico a disponibilizar, como você vai admitir,
digamos, "viabilizar"? É triste demorar tanto tempo para a
gente se dar conta de que "desincompatibilizar" sempre foi um
15 palavrão.
FREIRE, Ricardo. Complicabilizando. Época, ago. 2003.
Com base no texto, é correto afirmar:
Alternativas
- A)
A "campanha nacional" a que se refere o autor tem por
objetivo banir da língua portuguesa os verbos terminados
em "ilizar". - B)
O autor considera o emprego de verbos como
"reinicializando" (L. 7) e "viabilizar" (L. 13) uma verdadeira
"doença". - C)
A maioria dos verbos terminados em "(i)lizar", presentes no
texto, foi incorporada à língua por influência estrangeira. - D)
O autor, no final do primeiro parágrafo, acaba usando
involuntariamente os verbos que ele condena. - E)
Os prefixos "des" e "in", que entram na formação do verbo
"desincompatibilizar" (L. 14), têm sentido oposto, por isso o
autor o considera um "palavrão".
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Perguntas frequentes
O que significa o sufixo '-ilizar' em português?
O sufixo '-ilizar' é uma adaptação do inglês '-ilize' (ou '-ize'), usado para formar verbos a partir de adjetivos ou substantivos, como em 'disponibilizar' (do inglês 'make available') ou 'operacionalizar' (do inglês 'operationalize').
Por que o autor critica os verbos terminados em '-ilizar'?
O autor critica esses verbos por considerar que eles substituem palavras já existentes e são neologismos desnecessários, resultantes de traduções literais do inglês, empobrecendo a língua e tornando-a menos eufônica.
O que é purismo linguístico?
Purismo linguístico é a defesa de preservar uma língua em sua forma 'pura', evitando influências estrangeiras e neologismos, sendo um tema recorrente em debates sobre estrangeirismos e empréstimos linguísticos.
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