Ano 2020#portuguese

Sobre o tema

A questão aborda a relação entre literatura e realidade, a partir da visão de Benedito Nunes sobre o discurso literário como algo que, ao se desligar do real, pode iluminá-lo. No centro está o romance 'Angústia', de Graciliano Ramos, e seu narrador-protagonista Luís da Silva, um homem falido existencialmente. A pergunta explora por que ele não se comove mais com histórias fáceis, ligando isso à sua condição psicológica. O tema é fundamental para entender a função catártica e crítica da literatura, especialmente na obra de Graciliano, que mergulha na miséria humana sem concessões. A resposta correta destaca a imersão do personagem na negatividade de sua própria vida fracassada, o que torna impossível a fuga em narrativas simplórias.

Tópicos relacionados

  • Graciliano Ramos e o romance Angústia
  • Narrador protagonista Luís da Silva
  • Função catártica da literatura
  • Teoria do discurso literário em Benedito Nunes
  • Negatividade e fracasso existencial na literatura

Enunciado

Os textos literários são obras de discurso, a que falta a imediata
referencialidade da linguagem corrente; poéticos, abolem,
"destroem" o mundo circundante, cotidiano, graças à função
irrealizante da imaginação que os constrói. E prendem-nos na
teia de sua linguagem, a que devem o poder de apelo estético que
nos enleia; seduz-nos o mundo outro, irreal, neles configurado
(...). No entanto, da adesão a esse "mundo de papel", quando
retornamos ao real, nossa experiência, ampliada e renovada pela
experiência da obra, à luz do que nos revelou, possibilita
redescobri-lo, sentindo-o e pensando-o de maneira diferente e
nova. A ilusão, a mentira, o fingimento da ficção, aclara o real ao
desligar-se dele, transfigurando-o; e aclara-o já pelo insight que
em nós provocou.
Benedito Nunes, "Ética e leitura", de Crivo de Papel.
O que eu precisava era ler um romance fantástico, um
romance besta, em que os homens e as mulheres fossem
criações absurdas, não andassem magoando-se, traindo-se.
Histórias fáceis, sem almas complicadas. Infelizmente essas
leituras já não me comovem.
Graciliano Ramos, Angústia.
Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de
ratos, cheio de podridões, de lixo. Nenhuma concessão ao
gosto do público. Solilóquio doido, enervante.
Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere, em nota a respeito de seu livro
Angústia.
Se o discurso literário "aclara o real ao desligar‐se dele,
transfigurando‐o", pode‐se dizer que Luís da Silva, o narrador‐
protagonista de Angústia, já não se comove com a leitura de
"histórias fáceis, sem almas complicadas" porque

Alternativas

  • A)

    rejeita, como jornalista, a escrita de ficção.

  • B)

    prefere alienar‐se com narrativas épicas.

  • C)

    é indiferente às histórias de fundo sentimental.

  • D)

    está engajado na militância política.

  • E)

    se afunda na negatividade própria do fracassado.

0.0 (0 avaliacoes)

Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.

Comentarios (0)

Login obrigatorio

Carregando comentarios...

Perguntar pra IA

Perguntas frequentes

O que é a função irrealizante da imaginação na literatura?

É a capacidade da literatura de criar um mundo fictício que se desliga da realidade imediata, permitindo ao leitor explorar outras possibilidades e, ao retornar ao real, ter uma visão renovada e crítica.

Por que Luís da Silva, em Angústia, não se comove com histórias fáceis?

Porque ele está imerso em uma profunda negatividade existencial, fruto de seu fracasso pessoal e social. Sua própria vida é tão densa e angustiante que não encontra mais refúgio em narrativas simplórias e alienantes.

Qual a importância de Benedito Nunes para a crítica literária brasileira?

Benedito Nunes foi um filósofo e crítico literário paraense, conhecido por suas análises sobre a relação entre literatura, ética e filosofia. Sua obra 'Crivo de Papel' discute como a literatura pode iluminar o real por meio da ficção.

Questões relacionadas