Sobre o tema
A distinção entre tempo físico e tempo psicológico é central na filosofia de Santo Agostinho, especialmente em suas Confissões. Para Agostinho, o tempo objetivo é mensurável e linear, enquanto o tempo subjetivo é vivido internamente, marcado pela percepção e pela memória. Essa dualidade é explorada na literatura moderna, como no romance Angústia, de Graciliano Ramos, onde a narrativa mergulha na subjetividade do protagonista. Ramos utiliza recursos como fluxo de consciência e desorientação temporal para expressar a duração interior, questionando a rigidez dos relógios e calendários. Compreender como a subjetividade temporal é representada na obra ajuda a analisar não apenas a estrutura narrativa, mas também a psicologia dos personagens.
Tópicos relacionados
- Tempo psicológico vs. tempo físico
- Santo Agostinho e a percepção do tempo
- Graciliano Ramos e a duração interior
- Fluxo de consciência em Angústia
- Subjetividade temporal na literatura
Enunciado
"Mas não medimos os tempos que passam, quando os
medimos pela sensibilidade. Quem pode medir os tempos
passados que já não existem ou os futuros que ainda não
chegaram? Só se alguém se atrever a dizer que pode medir o
que não existe! Quando está decorrendo o tempo, pode
percebê-lo e medi-lo. Quando, porém, já estiver decorrido,
não o pode perceber nem medir, porque esse tempo já não
existe".
Santo Agostinho. Confissões.
O tempo físico e o tempo psicológico se diferenciam na
medida em que o primeiro se firma na objetividade e o
segundo, na subjetividade. De acordo com os argumentos de
Santo Agostinho, pode-se dizer que, no romance Angústia, de
Graciliano Ramos, a passagem que melhor exprime a duração
interior é:
Alternativas
- A)
"-1910. Minto, 1911. 1911, Manuel?"
- B)
"Os galos marcavam o tempo, importunavam mais que os
relógios." - C)
"Julião Tavares ia afastar-se, dissipar-se, virar neblina."
- D)
"Mas no tempo não havia horas."
- E)
"O espírito de Deus boiava sobre as águas."
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Perguntas frequentes
O que é tempo psicológico na literatura?
Tempo psicológico é a percepção subjetiva do tempo, variando conforme emoções e memórias, sem seguir a linearidade do relógio.
Como Santo Agostinho influenciou a noção de tempo?
Agostinho propôs que o tempo existe na mente como passado (memória), presente (atenção) e futuro (expectativa), influenciando visões subjetivas do tempo.
Qual a relação entre Angústia e o tempo interior?
Em Angústia, Graciliano Ramos usa a subjetividade temporal para refletir a angústia do protagonista, misturando presente e passado sem ordem cronológica.
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