Ano 2024#philosophy

Sobre o tema

A reflexão de Antonio Candido sobre direitos humanos amplia o conceito tradicional, que muitas vezes se limita a bens materiais básicos como moradia, alimentação e saúde. Para o crítico literário, os direitos humanos devem incluir também o acesso a bens culturais, como literatura e música, pois estes são igualmente indispensáveis para uma vida plena. Candido critica a visão que restringe o direito do próximo apenas ao essencial para a sobrevivência, negando-lhe o acesso à cultura erudita. Essa perspectiva está na base de uma compreensão mais profunda dos direitos humanos, que reconhece a dignidade humana em todas as suas dimensões. O texto provoca uma reflexão sobre privilégio versus direito, especialmente no contexto brasileiro, onde desigualdades históricas limitam o acesso à cultura a uma minoria.

Tópicos relacionados

  • Antonio Candido e direitos culturais
  • Direitos humanos e bens imateriais
  • Privilégio versus direito na cultura
  • Literatura e música como direitos humanos
  • Inclusão cultural e cidadania

Enunciado

"Por quê? Porque pensar em direitos humanos tem um
pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos
indispensável para nós é também indispensável para o
próximo. (...).
Nesse ponto as pessoas são frequentemente vítimas de uma
curiosa obnubilação. Elas afirmam que o próximo tem direito,
sem dúvida, a certos bens fundamentais, como casa, comida,
instrução, saúde, coisas que ninguém bem formado admite
hoje em dia que sejam privilégio de minorias, como são no
Brasil. Mas será que pensam que seu semelhante pobre teria
direito a ler Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven?
(...). Ora, o esforço para incluir o semelhante no mesmo
elenco de bens que reivindicamos está na base da reflexão
sobre os direitos humanos."
CANDIDO, Antonio. Vários escritos. 3ª ed. revista e ampliada. São Paulo:
Duas Cidades, 1995.
Com base na leitura do texto, pode-se afirmar que Antonio
Candido defende que o acesso a bens como a literatura e a
música

Alternativas

  • A)

    é privilégio de minorias, pois são bens que exigem
    reflexão.

  • B)

    deve ser reivindicado como um direito, e não como um
    privilégio.

  • C)

    vitimiza as pessoas que não têm acesso a bens
    fundamentais para viver.

  • D)

    humaniza as minorias privilegiadas, incentivando-as a
    compartilhar seu conhecimento.

  • E)

    é indispensável para quem luta pelos direitos humanos.












    TEXTO PARA AS QUESTÕES 11 E 12
    Vincent van Gogh. Salvador Dalí. Frida Kahlo. Casual perusers
    of ads everywhere would be forgiven for thinking that art
    galleries are enjoying some sort of golden age. The truth is less
    exciting, more expensive and certainly more depressing. For
    this is no ordinary art on offer; this art is "immersive", the
    latest lovechild of TikTok and enterprising warehouse
    landlords. The first problem with immersive art? It's not
    actually very immersive. A common trope of "immersive"
    retrospectives is to recreate original pieces using gimmicky
    tech. But merely aiming a projector at a blank canvas doesn't
    do much in the way of sensory stimulation. My favourite
    element of an "immersive" show I have been to was their
    faithful recreation of Van Gogh's bedroom. An ambitious feat,
    executed with some furniture and, of course, mutilated
    pastiches of his paintings. While projectors, surround sound
    and uncomfortably wacky seating are mainstays of immersive
    art, there are also the VR headsets. But many exhibitions don't
    even include these with the standard ticket, so my return to
    reality has twice been accompanied by an usher brandishing
    a credit card machine. Sometimes these installations are so
    banal and depthless, visitors have often walked through
    installations entirely oblivious to whatever is happening
    around them. Despite the fixation "immersive experiences"
    have with novelty, the products of their labours are
    remarkably similar: disappointing light shows punctuated by a
    few gamified set pieces.
    Disponível em https://www.vice.com/en/article/. Adaptado.

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Perguntas frequentes

O que Antonio Candido defende sobre direitos humanos?

Antonio Candido defende que os direitos humanos devem incluir não apenas bens materiais básicos, mas também bens culturais como literatura e música, pois são igualmente indispensáveis para a dignidade humana.

Qual a diferença entre privilégio e direito no contexto do texto?

Privilégio é algo reservado a minorias, enquanto direito é algo que deve ser universalmente garantido. Candido argumenta que o acesso à cultura deve ser um direito, não um privilégio.

Por que a literatura é considerada um direito humano segundo Candido?

Para Candido, a literatura é um bem fundamental que contribui para a formação crítica e a sensibilidade humana, sendo tão essencial quanto outros direitos para uma vida plena.

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