Ano 2024#history

Sobre o tema

A Revolução Cubana de 1959 e a subsequente aproximação de Fidel Castro com a União Soviética marcaram o início de uma das tensões mais emblemáticas da Guerra Fria no continente americano. O texto de Richard Gott destaca as medidas de nacionalização de propriedades americanas e o apoio militar soviético a Cuba, além do gesto simbólico de Khrushchev ao visitar o Harlem, bairro negro de Nova York. Esse episódio revela a interseção entre a política externa socialista e a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, demonstrando como a Guerra Fria também se manifestou em questões raciais e de identidade nacional.

Tópicos relacionados

  • Revolução Cubana e alinhamento com a URSS
  • Nacionalizações de propriedades norte-americanas
  • Guerra Fria e movimento negro nos EUA
  • Visita de Khrushchev ao Harlem (1960)
  • Política externa de Fidel Castro

Enunciado

"O plano dos Estados Unidos de derrubarem a Revolução já
estava esboçado na ocasião em que Mikoyan [vice-líder no
governo soviético de Nikita Kruschev] visitou Havana, em
fevereiro de 1960 (...). A CIA propunha a sabotagem das
refinarias de açúcar de Cuba, a principal fonte de riqueza da
ilha. (...)
Como prometido, Fidel Castro reagiu contra os Estados
Unidos (...). Ele anunciou a nacionalização de todas as
propriedades norte-americanas importantes da ilha. (...)
Numa frase sinistra (...), Castro salientou que a Cuba
revolucionária tinha agora o apoio militar de fora do
continente. Cuba 'aceitaria com gratidão', disse ele, 'a ajuda
dos foguetes da União Soviética (...)'.
Naquele mês, a lenha fora jogada na fogueira, quando Castro
chegou a Nova York para falar na Assembleia Geral da ONU,
instalando-se no Harlem. (...)
Castro ficou no [hotel] Theresa, cercado por um grupo de
admiradores (...) e numa tarde memorável foi visitado pelo
líder soviético. (...) Kruschev escreveu nas suas memórias que
'indo a um hotel negro num bairro negro, nós estávamos
fazendo uma dupla demonstração contra as políticas
discriminatórias dos Estados Unidos em relação aos negros,
assim como em relação a Cuba'".
GOTT, Richard. Cuba: uma nova história. Rio de Janeiro: Zahar, 2006. p.210-213.
Adaptado.
As tensões políticas abordadas no texto referem-se

Alternativas

  • A)

    à indecisão de Fidel Castro sobre o alinhamento político de
    Cuba na Guerra Fria e ao isolamento da ilha em relação a
    outros debates políticos da época.

  • B)

    às garantias do governo revolucionário em Cuba aos
    capitais norte-americanos e à salvaguarda dos direitos
    civis da população negra na ilha.

  • C)

    à aliança entre Cuba e URSS selada na origem da guerrilha
    em Sierra Maestra e à consequente oposição dos EUA ao
    movimento insurgente.

  • D)

    ao gradual alinhamento entre Cuba e a URSS e ao aceno
    dos dois governantes de apoio ao movimento negro norte-
    americano.

  • E)

    à articulação entre os governos da URSS e dos EUA para
    enfraquecer Fidel Castro e os movimentos sociais no
    Harlem.

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Perguntas frequentes

O que foi a Crise dos Mísseis de Cuba e qual sua relação com o texto?

A Crise dos Mísseis de Cuba (1962) foi um confronto entre EUA e URSS após a instalação de mísseis soviéticos em Cuba, decorrente do alinhamento iniciado em 1960, como descrito no texto.

Por que Fidel Castro nacionalizou propriedades norte-americanas?

Em resposta às sanções e sabotagens patrocinadas pelos EUA, como o plano da CIA de atacar refinarias de açúcar, Castro nacionalizou bens americanos para afirmar a soberania cubana.

Qual foi o significado da visita de Khrushchev ao Harlem em 1960?

Foi um gesto político que associava a luta antirracista nos EUA ao socialismo soviético, reforçando a aliança com Cuba e denunciando a discriminação racial americana.

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