Sobre o tema
A Revolução Cubana de 1959 e a subsequente aproximação de Fidel Castro com a União Soviética marcaram o início de uma das tensões mais emblemáticas da Guerra Fria no continente americano. O texto de Richard Gott destaca as medidas de nacionalização de propriedades americanas e o apoio militar soviético a Cuba, além do gesto simbólico de Khrushchev ao visitar o Harlem, bairro negro de Nova York. Esse episódio revela a interseção entre a política externa socialista e a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, demonstrando como a Guerra Fria também se manifestou em questões raciais e de identidade nacional.
Tópicos relacionados
- Revolução Cubana e alinhamento com a URSS
- Nacionalizações de propriedades norte-americanas
- Guerra Fria e movimento negro nos EUA
- Visita de Khrushchev ao Harlem (1960)
- Política externa de Fidel Castro
Enunciado
"O plano dos Estados Unidos de derrubarem a Revolução já
estava esboçado na ocasião em que Mikoyan [vice-líder no
governo soviético de Nikita Kruschev] visitou Havana, em
fevereiro de 1960 (...). A CIA propunha a sabotagem das
refinarias de açúcar de Cuba, a principal fonte de riqueza da
ilha. (...)
Como prometido, Fidel Castro reagiu contra os Estados
Unidos (...). Ele anunciou a nacionalização de todas as
propriedades norte-americanas importantes da ilha. (...)
Numa frase sinistra (...), Castro salientou que a Cuba
revolucionária tinha agora o apoio militar de fora do
continente. Cuba 'aceitaria com gratidão', disse ele, 'a ajuda
dos foguetes da União Soviética (...)'.
Naquele mês, a lenha fora jogada na fogueira, quando Castro
chegou a Nova York para falar na Assembleia Geral da ONU,
instalando-se no Harlem. (...)
Castro ficou no [hotel] Theresa, cercado por um grupo de
admiradores (...) e numa tarde memorável foi visitado pelo
líder soviético. (...) Kruschev escreveu nas suas memórias que
'indo a um hotel negro num bairro negro, nós estávamos
fazendo uma dupla demonstração contra as políticas
discriminatórias dos Estados Unidos em relação aos negros,
assim como em relação a Cuba'".
GOTT, Richard. Cuba: uma nova história. Rio de Janeiro: Zahar, 2006. p.210-213.
Adaptado.
As tensões políticas abordadas no texto referem-se
Alternativas
- A)
à indecisão de Fidel Castro sobre o alinhamento político de
Cuba na Guerra Fria e ao isolamento da ilha em relação a
outros debates políticos da época. - B)
às garantias do governo revolucionário em Cuba aos
capitais norte-americanos e à salvaguarda dos direitos
civis da população negra na ilha. - C)
à aliança entre Cuba e URSS selada na origem da guerrilha
em Sierra Maestra e à consequente oposição dos EUA ao
movimento insurgente. - D)
ao gradual alinhamento entre Cuba e a URSS e ao aceno
dos dois governantes de apoio ao movimento negro norte-
americano. - E)
à articulação entre os governos da URSS e dos EUA para
enfraquecer Fidel Castro e os movimentos sociais no
Harlem.
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Perguntas frequentes
O que foi a Crise dos Mísseis de Cuba e qual sua relação com o texto?
A Crise dos Mísseis de Cuba (1962) foi um confronto entre EUA e URSS após a instalação de mísseis soviéticos em Cuba, decorrente do alinhamento iniciado em 1960, como descrito no texto.
Por que Fidel Castro nacionalizou propriedades norte-americanas?
Em resposta às sanções e sabotagens patrocinadas pelos EUA, como o plano da CIA de atacar refinarias de açúcar, Castro nacionalizou bens americanos para afirmar a soberania cubana.
Qual foi o significado da visita de Khrushchev ao Harlem em 1960?
Foi um gesto político que associava a luta antirracista nos EUA ao socialismo soviético, reforçando a aliança com Cuba e denunciando a discriminação racial americana.
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