Ano 2015

Sobre o tema

Hans Kelsen, na sua Teoria Pura do Direito, revolucionou o estudo da interpretação jurídica ao distingui-la em dois momentos: um ato de conhecimento e um ato de vontade. Para Kelsen, o intérprete (como um juiz) primeiramente conhece as possibilidades normativas dentro da moldura da norma, mas a decisão final envolve uma escolha volitiva. Essa teoria é essencial para compreender a discricionariedade judicial e os limites da aplicação do Direito, destacando que a interpretação não é puramente lógica ou científica, mas também política e criativa. A obra de Kelsen permanece central no debate sobre positivismo jurídico e hermenêutica, influenciando gerações de juristas.

Tópicos relacionados

  • Teoria Pura do Direito de Hans Kelsen
  • Interpretação jurídica e moldura normativa
  • Ato de conhecimento vs ato de vontade
  • Discricionariedade judicial no positivismo
  • Escala de concretização do Direito

Enunciado

Hans Kelsen, ao abordar o tema da interpretação jurídica no seu livro Teoria Pura do Direito, fala em ato de vontade e ato de conhecimento. Em relação à aplicação do Direito por um órgão jurídico, assinale a afirmativa correta da interpretação.

Alternativas

  • A)

    Prevalece como ato de conhecimento, pois o Direito é atividade científica e, assim, capaz de prover precisão técnica no âmbito de sua aplicação por agentes competentes.

  • B)

    Predomina como puro ato de conhecimento, em que o agente escolhe, conforme seu arbítrio, qualquer norma que entenda como válida e capaz de regular o caso concreto.

  • C)

    A interpretação cognoscitiva combina-se a um ato de vontade em que o órgão aplicador efetua uma escolha entre as possibilidades reveladas por meio da mesma interpretação cognoscitiva.

  • D)

    A interpretação gramatical prevalece como sendo a única capaz de revelar o conhecimento apropriado da mens legis.

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Perguntas frequentes

O que é a 'moldura' da norma para Kelsen?

A moldura é o conjunto de significados possíveis que uma norma jurídica pode ter, delimitados pelo texto normativo. O intérprete deve escolher uma dessas possibilidades, mas não pode ultrapassar os limites da moldura.

Como Kelsen diferencia ato de conhecimento e ato de vontade na interpretação?

O ato de conhecimento identifica as diversas interpretações possíveis dentro da moldura; o ato de vontade é a escolha de uma delas pelo aplicador do Direito, como o juiz ao proferir a sentença.

Qual a crítica de Kelsen às teorias tradicionais da interpretação?

Kelsen criticava a ideia de que a interpretação poderia ser puramente lógica ou objetiva, revelando uma única resposta correta. Para ele, a interpretação sempre envolve um elemento volitivo e político.