Ano 2018#portuguese

Sobre o tema

O jornalismo investigativo exige do repórter precisão factual e imparcialidade na coleta e relato dos fatos. A distinção entre jornalismo de opinião e jornalismo informativo é central para a credibilidade da imprensa. Caco Barcellos, experiente jornalista brasileiro, defende que a reportagem deve servir como base sólida para que outros profissionais, como articulistas, historiadores e sociólogos, possam formar seus próprios juízos. A imprecisão na reportagem pode distorcer a compreensão histórica de eventos, como a violência policial contra populações vulneráveis. Assim, o jornalista deve evitar emitir opiniões pessoais na reportagem, focando em investigação e precisão.

Tópicos relacionados

  • Jornalismo investigativo e precisão factual
  • Diferença entre reportagem e artigo de opinião
  • Ética jornalística na cobertura de violência policial
  • Papel do repórter na formação do registro histórico
  • Caco Barcellos e o jornalismo brasileiro

Enunciado

Numa entrevista ao jornal El País em 26 de agosto de
2016, o jornalista Caco Barcellos comenta uma afirmação
sua anterior, feita em um congresso de jornalistas
investigativos, de que novos profissionais não deveriam
“atuar como porta-vozes de autoridades”.

“Tenho o maior encanto e admiração e respeito pelo
jornalismo de opinião. O que critiquei lá é quando isso vai
para a reportagem. Não acho legítimo. O repórter tem o
dever de ser preciso. Pode ser até analítico, mas não emitir
juízo. Na reportagem de rua, fico imbuído, inclusive, de
melhor informar o meu colega de opinião. Se eu não fizer
isso de modo preciso e correto, ele vai emitir um juízo
errado sobre aquele universo que estou retratando. E não
só ele, mas também o advogado, o sociólogo, o
antropólogo e mais para frente o historiador (...) Por
exemplo, essa matança que a polícia militar provoca no
cotidiano das grandes cidades brasileiras – isso é muito
mal reportado pela mídia no seu conjunto. Quem sabe, lá
no futuro, o historiador não passe em branco por esse
momento da história. Não vai poder dizer ‘olha, os negros
pobres do estado mais rico da federação estão sendo
eliminados com a frequência de três por dia, um a cada
oito horas’. Se o repórter não fizer esse registro preciso e
contundente, a cadeia toda pode falhar, a começar pelo
jornalista de opinião.”

(“Caco Barcelos: ‘Erros históricos nascem da imprecisão jornalística’ ”. El País.
26/08/2016. Entrevista concedida a Camila Moraes. Disponível em
https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/19/cultura/1468956578_924541.html.
Acessado em 13/07/2017.)

De acordo com a posição defendida por Caco Barcellos
com relação a seus leitores, uma reportagem exige do
jornalista

Alternativas

  • A)

    conhecimento preciso do assunto, uma vez que seu
    objetivo é convencer o leitor a concordar com o que
    escreve para evitar que ele cometa erros.

  • B)

    investigação e precisão no tratamento do assunto,
    porque ela vai servir de base a outros artigos,
    permitindo que o leitor tire suas próprias conclusões.

  • C)

    investigação e precisão na abordagem dos fatos, já
    que ele também emite seu juízo sobre o assunto,
    conduzindo o leitor a aceitar a história que narra.

  • D)

    conhecimento preciso dos fatos tratados, para que, no
    futuro, o leitor seja levado a crer que o repórter
    registrou sua opinião de forma equilibrada.

0.0 (0 avaliacoes)

Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.

Comentarios (0)

Login obrigatorio

Carregando comentarios...

Perguntar pra IA

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre jornalismo de opinião e jornalismo informativo?

O jornalismo de opinião expressa pontos de vista subjetivos, enquanto o jornalismo informativo busca relatar fatos com imparcialidade e precisão, sem emitir juízos de valor.

Por que a precisão na reportagem é importante para a história?

Reportagens precisas servem como fonte confiável para historiadores futuros, evitando que erros de informação perpetuem visões distorcidas do passado.

O que Caco Barcellos critica na cobertura midiática da violência policial?

Ele critica a falta de precisão e o tratamento superficial, que não registram adequadamente a magnitude e o perfil das vítimas, comprometendo a memória histórica.

Questões relacionadas