Ano 2018#portuguese

Sobre o tema

A meritocracia é frequentemente defendida como um princípio de justiça social, mas críticos apontam que ela ignora desigualdades estruturais. O episódio de uma festa escolar que ridicularizou profissões populares expõe como o mito meritocrático desvaloriza certos trabalhos e naturaliza privilégios. Compreender esse debate é essencial para analisar políticas de ação afirmativa e inclusão social no Brasil.

Tópicos relacionados

  • Meritocracia e desigualdade social
  • Ações afirmativas no ensino superior
  • Preconceito contra profissões manuais
  • Políticas de cotas raciais e sociais

Enunciado

Em maio deste ano, uma festa do 3º ano do Ensino Médio de
uma escola do Rio Grande do Sul propôs aos alunos que se
preparavam para o vestibular uma atividade chamada “Se
nada der certo”. O objetivo era “trabalhar o cenário de não
aprovação no vestibular”, e como “lidar melhor com essa
fase”. Os alunos compareceram à festa “fantasiados” de
faxineiros, garis, domésticas, agricultores, entre outras
profissões consideradas de pessoas “fracassadas”. O evento
teve repercussão nacional e acirrou o debate sobre a
meritocracia. Para Luis Felipe Miguel, professor de ciência
política, “o tom de chacota da festa-recreio era óbvio”, e teria
sido mais interessante “discutir como se constrói a hierarquia
que define algumas ocupações como subalternas e outras
como superiores; discutir como alguns podem desprezar os
saberes incorporados nas práticas dessas profissões
(subalternas apenas porque contam com quem as faça por
eles); discutir como o que realmente ‘deu certo’ para eles foi a
loteria do nascimento, que, na nossa sociedade, determina a
parte do leão das trajetórias individuais”.

(Adaptado de Fernanda Valente, Dia do ’se nada der certo’ acende debate sobre
meritocracia e privilégio. Carta Capital, 06/06/2017. Disponível em
http://justificando.cartacapital.com.br/2017/06/06/dia-do-se-nada-der-certo-
acende-debate-sobre-meritocracia-e-privilegio/. Acessado em 08/06/2017.)

As alternativas a seguir reproduzem trechos de uma
entrevista do professor Sidney Chalhoub (Unicamp e
Harvard) sobre o mito da meritocracia.
(Manuel Alves Filho, A meritocracia é um mito que alimenta as
desigualdades, diz Sidney Chalhoub. Jornal da Unicamp, 07/06/2017.)

Assinale aquela que dialoga diretamente com a notícia
acima.

Alternativas

  • A)

    É preciso promover a inclusão “e fazer com que o
    conhecimento que essas pessoas trarão à
    Universidade seja reconhecido e disseminado”.

  • B)

    Com a adesão da Unicamp ao sistema de cotas, um
    “novo contingente de alunos colocará em cheque
    vários hábitos da universidade”.

  • C)

    “As melhores universidades do mundo (que servem de
    referência) adotam a diversidade no ingresso dos
    estudantes há bastante tempo”.

  • D)

    “O ideal seria que todos aqueles que tivessem
    condições intelectuais e interesse em entrar na
    universidade obtivessem uma vaga”.

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Perguntas frequentes

O que é meritocracia?

Meritocracia é a ideia de que o sucesso individual depende exclusivamente do mérito, esforço e talento, sem considerar privilégios sociais ou econômicos. Críticos apontam que ela mascara desigualdades estruturais.

Por que a meritocracia é considerada um mito?

Porque ignora que o ponto de partida das pessoas é desigual: acesso a educação de qualidade, redes de contato e herança familiar influenciam fortemente as trajetórias. O mito da meritocracia culpa o indivíduo pelo fracasso em um sistema que não oferece oportunidades iguais.

Qual a relação entre meritocracia e cotas?

As cotas são uma política que busca corrigir desigualdades históricas, reconhecendo que a competição supostamente meritocrática não é justa quando alguns grupos foram sistematicamente excluídos de oportunidades.

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