Sobre o tema
A verossimilhança é um conceito central na retórica clássica, referindo-se àquilo que parece verdadeiro e, portanto, merece crédito. No contexto dos sermões do Padre Antônio Vieira no século XVII, a presunção de confiança do auditório cristão não se baseava na habilidade do orador ou na disciplina dos ouvintes, mas sim em crenças fundamentais compartilhadas, como a salvação e a danação eternas. Essas crenças funcionavam como premissas aceitas sem prova, permitindo que o pregador construísse sua argumentação sobre elas. Entender essa base de confiança é essencial para analisar a eficácia persuasiva da retórica religiosa da época.
Tópicos relacionados
- Verossimilhança na retórica clássica
- Sermões de Padre Antônio Vieira
- Presunção de confiança do auditório
- Crenças religiosas no século XVII
Enunciado
“O que é então o verossímil? Para encurtar: tudo aquilo em
que a confiança é presumida. Por exemplo, os juízes nem
sempre são independentes, os médicos nem sempre
capazes, os oradores nem sempre sinceros. Mas presume-
se que o sejam; e, se alguém afirmar o contrário, cabe-lhe
o ônus da prova. Sem esse tipo de presunção, a vida seria
impossível; e é a própria vida que rejeita o ceticismo.”
(Olivier Reboul, Introdução à retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p. 97-98.)
Considerando o segundo “Sermão da Quarta-feira de
Cinza” (1673), de Antonio Vieira, é correto afirmar que a
presunção de confiança por parte do auditório cristão do
século XVII decorre da
Alternativas
- A)
habilidade política do pregador.
- B)
atenção disciplinada dos ouvintes.
- C)
crença na salvação e na danação eternas.
- D)
defesa institucional da Igreja Católica feita pelo clero.
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Perguntas frequentes
O que é verossímil na retórica?
É aquilo que parece verdadeiro e é aceito como tal por um público, baseado em presunções compartilhadas, dispensando prova imediata.
Como a verossimilhança funciona em discursos religiosos?
Em discursos religiosos, a verossimilhança se apoia em crenças fundamentais do auditório, como a existência de Deus e a vida após a morte, que são presumidas como verdadeiras.
Por que a presunção de confiança é importante na comunicação persuasiva?
Ela permite que o orador não precise provar cada ponto, partindo de premissas aceitas, o que torna a argumentação mais eficiente e eficaz.
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