Sobre o tema
A voz narrativa é um elemento central na análise literária, especialmente em obras que desafiam convenções tradicionais. Em 'História do Cerco de Lisboa', José Saramago explora os limites da onisciência ao apresentar um narrador que, embora afirme não ter acesso a certos aspectos da consciência das personagens, constrói uma narrativa coesa e autônoma. Essa aparente contradição reflete a técnica pós-moderna de questionar a autoridade narrativa, ao mesmo tempo que reforça a singularidade do ato de contar histórias. Compreender essa dinâmica é essencial para interpretar a obra e reconhecer a inovação estilística de Saramago, que utiliza a metalinguagem e a ironia para problematizar a relação entre narrador, personagens e leitor.
Tópicos relacionados
- Narrador onisciente na literatura
- Técnicas narrativas pós-modernas
- José Saramago e metalinguagem
- História do Cerco de Lisboa
- Narrativa e autoridade do narrador
Enunciado
Ao descrever a rotina do protagonista Raimundo Silva, o
narrador da História do Cerco de Lisboa afirma que só
restaram fragmentos dos sonhos noturnos, “imagens
insensatas aonde a luz não chega, indevassáveis até para
os narradores, que as pessoas mal informadas acreditam
terem todos os direitos e disporem de todas as chaves.”
(José Saramago, História do Cerco de Lisboa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989,
p.122.)
Com base nesse excerto e relacionando-o ao conjunto do
romance, é correto afirmar que o narrador é
Alternativas
- A)
polifônico, pois, ao considerar todos os pontos de vista
das personagens, relativiza a visão de mundo e
respeita a privacidade delas. - B)
observador, pois dissimula sua avaliação política da
realidade ao se mostrar empático ao mundo das
personagens. - C)
protagonista, pois, ao fazer parte da própria narrativa,
assemelha-se às demais personagens e não pode
duvidar dos protocolos necessários para contar a
história de Portugal. - D)
onisciente, pois simula ser tolerante com a pluralidade
de vozes narrativas, mas é a singularidade de seu
modo de narrar que produz a coesão e a autonomia da
narração.
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Perguntas frequentes
O que caracteriza um narrador onisciente?
Um narrador onisciente possui conhecimento total sobre a história, incluindo pensamentos e sentimentos das personagens. Em 'História do Cerco de Lisboa', Saramago subverte essa tradição ao limitar o acesso do narrador, mas mantendo a coesão narrativa.
Como Saramago utiliza a metalinguagem em suas obras?
Saramago frequentemente utiliza a metalinguagem para comentar o próprio ato de narrar, questionando a veracidade e os limites da narrativa. Isso é evidente em 'História do Cerco de Lisboa', onde o narrador reflete sobre sua própria capacidade de contar a história.
Qual a importância do narrador em 'História do Cerco de Lisboa'?
O narrador é central para a estrutura do romance, pois sua voz singular e irônica molda a percepção dos eventos históricos e pessoais, criando uma tensão entre a onisciência aparente e as limitações assumidas.
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