Sobre o tema
O telejornalismo brasileiro enfrenta o desafio de equilibrar a cobertura de tragédias com a manutenção do interesse do público e da rentabilidade, fenômeno conhecido como 'infotenimento'. Estratégias linguísticas, como o uso de conjunções adversativas e expressões como 'a boa notícia é que', são empregadas para amenizar o impacto de notícias negativas, criando uma experiência esteticamente agradável. Essa prática levanta questões sobre a ética jornalística e a manipulação da percepção do espectador, sendo um tema recorrente em análises de discurso na comunicação social.
Tópicos relacionados
- Infotenimento no jornalismo
- Conjunções adversativas e discurso
- Ética na cobertura de tragédias
- Estratégias linguísticas na TV
- Análise do discurso jornalístico
Enunciado
Leia o texto a seguir e responda às questões 65 e 66.
O telejornalismo é um dos principais produtos televisivos.
Sejam as notícias boas ou ruins, ele precisa garantir uma
experiência esteticamente agradável para o espectador.
Em suma, ser um “infotenimento”, para atrair prestígio,
anunciante e rentabilidade. Porém, a atmosfera pesada do
início do ano baixou nos telejornais: Brumadinho, jovens
atletas mortos no incêndio do CT do Flamengo, notícias
diárias de feminicídios, de valentões armados matando em
brigas de trânsito e supermercados. Conjunções
adversativas e adjuntos adverbiais já não dão mais conta
de neutralizar o tsunami de tragédias e violência, e de
amenizar as más notícias para garantir o “infotenimento”.
No jornal, é apresentada matéria sobre uma mulher
brutalmente espancada, internada com diversas fraturas no
rosto. Em frente ao hospital, uma repórter fala: “mas a boa
notícia é que ela saiu da UTI e não precisará mais de
cirurgia reparadora na face...”. Agora, repórteres repetem a
expressão “a boa notícia é que...”, buscando alguma
brecha de esperança no “outro lado” das más notícias.
(Adaptado de Wilson R. V. Ferreira, Globo adota “a boa notícia é que...” para tentar se salvar
do baixo astral nacional. Disponível em https://cinegnose. Blogs pot.com/2019/02/globo-adota-
boa-noticia-e-que-para.html. Acessado em 01/03 /2019.)
Considerando a matéria apresentada no jornal, o uso da
conjunção adversativa seguido da expressão “a boa notícia
é que” permite ao jornalista
Alternativas
- A)
apontar a gravidade da notícia e compensá-la.
- B)
expor a neutralidade da notícia e reforçá-la.
- C)
minimizar a relevância da notícia e acentuá-la.
- D)
revelar a importância da notícia e enfatizá-la.
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Perguntas frequentes
O que é 'infotenimento'?
'Infotenimento' é a fusão de informação e entretenimento, uma estratégia usada por meios de comunicação para tornar as notícias mais atrativas ao público, muitas vezes suavizando conteúdos negativos.
Como as conjunções adversativas atuam no discurso jornalístico?
Conjunções adversativas (como 'mas', 'porém') introduzem uma oposição ou ressalva, permitindo ao jornalista contrastar uma notícia negativa com um aspecto positivo, criando um contraponto que ameniza o impacto.
Qual a crítica ética ao uso de 'a boa notícia é que' em telejornais?
A crítica é que essa expressão pode minimizar a gravidade de eventos trágicos, priorizando o entretenimento em detrimento da informação objetiva, o que compromete a seriedade jornalística.
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