Sobre o tema
A variação linguística é um fenômeno natural e revela a riqueza cultural de uma língua. O preconceito linguístico surge quando se julga uma variedade como inferior, frequentemente associado a questões sociais e econômicas. Nesta crônica, o diálogo sobre a expressão 'se amostrar' mostra como usos regionais ou populares podem ser estigmatizados, enquanto a personagem defende sua validade comunicativa. A discussão sobre 'amostrado' versus 'exibido' exemplifica como a linguagem reflete contrastes de classe e contexto social.
Tópicos relacionados
- Preconceito linguístico e variação
- Norma culta versus uso popular
- Formação de particípios irregulares
- Linguagem como marcador social
- Preconceito de classe na comunicação
Enunciado
– Pela milionésima vez, por favor, “se amostrar” não existe.
Não pega bem usar uma expressão incorreta como essa.
– Ora veja, incorreto para mim é o que não faz sentido, “se
amostrar” faz sentido para boa parte do país.
– Por que você não usa um sinônimo mais simples da
palavra? Que tal “exibido”? Todo mundo conhece.
– Não dá, porque quem se exibe é exibido, quem se
amostra é amostrado. Por exemplo: quando os vendedores
de shopping olham com desprezo para os meninos dos
rolezinhos e moram no mesmo bairro deles, são exibidos.
Eles acham que a roupa de vendedor faz deles seres
superiores. Por outro lado, as meninas e os meninos dos
rolezinhos vão para os shoppings para se amostrar uns
para outros, e são, portanto, amostrados. Percebeu a
sutileza da diferença?
– Entendo, mas está errado.
– Como é que está errado se você entende? Você não
aceita a inventividade linguística do povo. “Amostrar” é
verbo torto no manual das conjugações e “amostrado” é
particípio de amostra grátis! Captou?
(Adaptado de Cidinha da Silva, Absurdada. Disponível em http://notarodape. blogspot. com/
search/label/Cotidiano. Acessado em 22/05/2019.)
Considerando que a comparação entre modos de falar
pode ser fonte de preconceito, o exemplo citado por uma
das personagens da crônica
Alternativas
- A)
reforça o preconceito em relação às turmas de jovens
de um mesmo bairro, com base nos significados de
“amostrado” e “exibido”. - B)
explicita o preconceito, valendo-se de “amostrado” e
“exibido” para distinguir dois grupos de jovens do
mesmo bairro. - C)
dissimula o preconceito e reconhece que “se amostrar”
é, de fato, um verbo que não está de acordo com as
normas gramaticais. - D)
refuta o preconceito e confirma o desconhecimento da
regra de formação do particípio passado do verbo “se
amostrar”.
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Perguntas frequentes
O que é preconceito linguístico?
É a discriminação baseada na forma de falar de um grupo, julgando variedades linguísticas como inferiores ou erradas, geralmente ligado a fatores sociais e regionais.
A expressão 'se amostrar' é gramaticalmente incorreta?
Na norma padrão, o verbo 'amostrar' não é registrado, mas seu uso é frequente em diversas regiões do Brasil. A linguística atual considera a fala popular como legítima, não errada.
Como a linguagem pode refletir preconceito de classe?
Termos como 'exibido' e 'amostrado' podem carregar conotações sociais: enquanto 'exibido' é mais aceito, 'amostrado' é associado a grupos periféricos, revelando estigmatização.
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