Ano 2021#history

Sobre o tema

A crise da escravidão no Brasil durante o Segundo Reinado (1840-1889) impactou profundamente a economia cafeeira, especialmente no Vale do Paraíba. Diante das pressões internacionais e internas pelo fim do tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queirós, 1850) e da iminente abolição, os grandes cafeicultores buscaram reafirmar seu poder político e social. Uma das estratégias foi o investimento em capital simbólico: construíram palacetes e casas de fazenda suntuosas e encomendaram pinturas de paisagem que idealizavam suas propriedades. Essas obras não eram meramente decorativas; representavam uma resposta direta à crise, projetando uma imagem de prosperidade e controle senhorial. A historiadora Ana Luiza Martins destaca que essa manifestação cultural foi uma tentativa de legitimar a ordem escravocrata prestes a ruir.

Tópicos relacionados

  • Crise da escravidão no Segundo Reinado
  • Capital simbólico dos cafeicultores
  • Pintura de paisagem como afirmação social
  • Arquitetura das fazendas de café no Vale do Paraíba
  • Lei de Terras de 1850 e imigração

Enunciado

A casa de morar nas fazendas ou o palacete foram em
geral construídos a partir de 1870. Representavam o
poderio econômico e político do proprietário, assim como o
gênero da pintura de paisagem que, segundo o historiador
Rafael Marquese, foi mobilizado pela classe senhorial do
Vale do Paraíba como uma resposta direta à crise da
escravidão negra no Império do Brasil.
(Adaptado de Ana Luiza Martins, “Representações da economia cafeeira: dos barões
aos ‘Reis do café’, em Wilma Peres Costa e Ana Betraiz Demarchi Barel (orgs.),
Cultura e Poder entre o Império e a República. São Paulo: Alameda, 2018, p. 195.)

A partir do texto acima, é correto afirmar:

Alternativas

  • A)

    Os senhores do café incrementaram um sistema de
    produção cafeeiro moderno que atendia o mercado
    internacional. Desde a instalação da corte joanina no
    Brasil, eles investiram nas formas de morar como
    capital simbólico.

  • B)

    Na crise capitalista da década de 1870, os produtores
    de café no Brasil alavancaram o tráfico de
    escravizados vindos de África e investiram na riqueza
    simbólica de suas propriedades.

  • C)

    No Segundo Reinado, com a intensa crise na obtenção
    de escravizados para as plantações de café e a

    acirrada disputa na definição das políticas migratórias,
    os cafeicultores redefiniram seu capital simbólico.

  • D)

    O investimento nas casas de fazenda e na pintura de
    paisagem reafirmava a importância social da classe
    senhorial. Era uma reação política contra a reforma
    agrária estabelecida na Lei de Terras de 1850.

0.0 (0 avaliacoes)

Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.

Comentarios (0)

Login obrigatorio

Carregando comentarios...

Perguntar pra IA

Perguntas frequentes

O que foi a crise da escravidão no Brasil no século XIX?

Foi o processo de declínio do sistema escravista devido à pressão internacional contra o tráfico, às leis abolicionistas (Eusébio de Queirós, Rio Branco) e à crescente resistência dos escravizados, culminando na Abolição em 1888.

Como os cafeicultores usaram o capital simbólico?

Investiram em construções suntuosas e obras de arte, como pinturas de paisagem, para projetar poder e legitimidade social, especialmente em um momento de ameaça à sua base econômica escravista.

Qual a relação entre a Lei de Terras de 1850 e a imigração?

A Lei de Terras dificultou o acesso à terra por imigrantes, garantindo que a mão de obra imigrante se submetesse ao trabalho assalariado nas fazendas, beneficiando os cafeicultores.

Questões relacionadas