Sobre o tema
A crise da escravidão no Brasil durante o Segundo Reinado (1840-1889) impactou profundamente a economia cafeeira, especialmente no Vale do Paraíba. Diante das pressões internacionais e internas pelo fim do tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queirós, 1850) e da iminente abolição, os grandes cafeicultores buscaram reafirmar seu poder político e social. Uma das estratégias foi o investimento em capital simbólico: construíram palacetes e casas de fazenda suntuosas e encomendaram pinturas de paisagem que idealizavam suas propriedades. Essas obras não eram meramente decorativas; representavam uma resposta direta à crise, projetando uma imagem de prosperidade e controle senhorial. A historiadora Ana Luiza Martins destaca que essa manifestação cultural foi uma tentativa de legitimar a ordem escravocrata prestes a ruir.
Tópicos relacionados
- Crise da escravidão no Segundo Reinado
- Capital simbólico dos cafeicultores
- Pintura de paisagem como afirmação social
- Arquitetura das fazendas de café no Vale do Paraíba
- Lei de Terras de 1850 e imigração
Enunciado
A casa de morar nas fazendas ou o palacete foram em
geral construídos a partir de 1870. Representavam o
poderio econômico e político do proprietário, assim como o
gênero da pintura de paisagem que, segundo o historiador
Rafael Marquese, foi mobilizado pela classe senhorial do
Vale do Paraíba como uma resposta direta à crise da
escravidão negra no Império do Brasil.
(Adaptado de Ana Luiza Martins, “Representações da economia cafeeira: dos barões
aos ‘Reis do café’, em Wilma Peres Costa e Ana Betraiz Demarchi Barel (orgs.),
Cultura e Poder entre o Império e a República. São Paulo: Alameda, 2018, p. 195.)
A partir do texto acima, é correto afirmar:
Alternativas
- A)
Os senhores do café incrementaram um sistema de
produção cafeeiro moderno que atendia o mercado
internacional. Desde a instalação da corte joanina no
Brasil, eles investiram nas formas de morar como
capital simbólico. - B)
Na crise capitalista da década de 1870, os produtores
de café no Brasil alavancaram o tráfico de
escravizados vindos de África e investiram na riqueza
simbólica de suas propriedades. - C)
No Segundo Reinado, com a intensa crise na obtenção
de escravizados para as plantações de café e a
acirrada disputa na definição das políticas migratórias,
os cafeicultores redefiniram seu capital simbólico. - D)
O investimento nas casas de fazenda e na pintura de
paisagem reafirmava a importância social da classe
senhorial. Era uma reação política contra a reforma
agrária estabelecida na Lei de Terras de 1850.
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Perguntas frequentes
O que foi a crise da escravidão no Brasil no século XIX?
Foi o processo de declínio do sistema escravista devido à pressão internacional contra o tráfico, às leis abolicionistas (Eusébio de Queirós, Rio Branco) e à crescente resistência dos escravizados, culminando na Abolição em 1888.
Como os cafeicultores usaram o capital simbólico?
Investiram em construções suntuosas e obras de arte, como pinturas de paisagem, para projetar poder e legitimidade social, especialmente em um momento de ameaça à sua base econômica escravista.
Qual a relação entre a Lei de Terras de 1850 e a imigração?
A Lei de Terras dificultou o acesso à terra por imigrantes, garantindo que a mão de obra imigrante se submetesse ao trabalho assalariado nas fazendas, beneficiando os cafeicultores.
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