Sobre o tema
O debate sobre as normas linguísticas e sua rigidez há muito é tema na literatura e na linguística. O poema "antipoema" de Ma Njanu desafia regras canônicas, rimas e métricas, defendendo a liberdade de expressão, especialmente para vozes marginalizadas. De forma similar, a carta de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade defende a inteligência do povo ao transformar a língua para adequá-la às suas realidades. Ambos os textos destacam a necessidade de aceitar a diversidade linguística e a evolução da língua por meio da adaptação cultural, resistindo à padronização elitista. Esse tema é central para entender como a língua é uma entidade viva moldada por seus falantes, não um conjunto estático de regras imposto por autoridades.
Tópicos relacionados
- Linguística popular
- Variação linguística
- Normas e liberdade poética
- Cânone literário e resistência
- Mário de Andrade e língua brasileira
Enunciado
TEXTO 1
antipoema
é preciso rasurar o cânone
distorcer as regras
as rimas
as métricas
o padrão
a norma que prende a língua
os milionários que se beneficiam do nosso silêncio
do medo de se dizer poeta,
só assim será livre a palavra.
(Ma Njanu é idealizadora do “Clube de Leitoras” na periferia de Fortaleza e da
“Pretarau, Sarau das Pretas”, coletivo de artistas negras. Disponível em
http://recantodasletras.com.br/poesias/6903974. Acessado em 20/05/2020.)
TEXTO 2
“O povo não é estúpido quando diz 'vou na escola', 'me
deixe', 'carneirada', 'mapear', 'farra', 'vagão', 'futebol'. É
antes inteligentíssimo nessa aparente ignorância porque,
sofrendo as influências da terra, do clima, das ligações e
contatos com outras raças, das necessidades do momento
e de adaptação, e da pronúncia, do caráter, da psicologia
racial, modifica aos poucos uma língua que já não lhe
serve de expressão porque não expressa ou sofre essas
influências e a transformará afinal numa outra língua que
se adapta a essas influências.”
(Carta de Mário a Drummond, 18 de fevereiro de 1925, em Lélia Coelho Frota,
Carlos e Mário: correspondência completa entre Carlos Drummond de Andrade
e Mário de Andrade. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2002, p. 101.)
Apesar de passados quase 100 anos, a carta de Mário de
Andrade ecoa no poema de Ma Njanu. Ambos os textos
manifestam
Alternativas
- A)
a ignorância ratificada do povo em sua luta para se
expressar. - B)
a necessidade de diversificar a língua segundo outros
costumes. - C)
a inteligência do povo e dos poetas livres de influências.
- D)
a ingenuidade em se crer na possibilidade de escapar
às regras.
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Perguntas frequentes
O que é variação linguística?
Variação linguística é o fenômeno pelo qual uma língua se diversifica conforme fatores sociais, regionais, históricos e contextuais, resultando em diferentes formas de falar e escrever.
Por que Mário de Andrade defendia a fala popular?
Mário de Andrade acreditava que a fala popular refletia a identidade cultural brasileira e a criatividade do povo, defendendo que a língua deve evoluir naturalmente, sem imposições elitistas.
Como a poesia pode desafiar as normas linguísticas?
A poesia, especialmente a antipoesia, quebra regras formais e gramaticais para expressar novas perspectivas, denunciar opressões e dar voz a grupos marginalizados.
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