Sobre o tema
A relação entre língua e gênero é um tema central nos estudos sociolinguísticos e feministas. A forma como usamos palavras para designar homens e mulheres não é neutra: ela reflete e perpetua hierarquias sociais. No português, expressões como 'o homem' para se referir à humanidade e a ausência de termos equivalentes para cargos femininos (ex.: 'primeira-dama' vs. 'primeiro-cavalheiro') evidenciam um viés androcêntrico. Autoras como Cecília Meireles recusavam 'poetisa' por considerá-lo pejorativo, enquanto Dilma Rousseff exigia 'presidenta' para marcar a presença feminina no poder. Compreender essas escolhas linguísticas é essencial para analisar o machismo estrutural e pensar em formas de linguagem inclusiva.
Tópicos relacionados
- Machismo estrutural na língua portuguesa
- Linguagem inclusiva e neutralização de gênero
- Feminismo e sociolinguística
- Designações femininas e valorização social
Enunciado
Num mundo dominado por homens, a mulher é tratada
como um ser diferenciado, que merece uma designação
especial. Enquanto a expressão “o homem” pode equivaler
a “o ser humano”, como na frase “O homem é mortal”, a
expressão “a mulher” só se refere aos seres humanos do
gênero feminino. A língua também revela um tratamento
diferente dado à mulher na sociedade ao conter
designações específicas para ela, inexistentes para o
homem. Assim, a mulher de um chefe de governo é
chamada de “primeira-dama”, mas o marido de uma mulher
que desempenha aquele cargo não é chamado de
“primeiro-cavalheiro”.
Conta-se que Cecília Meireles recusava a designação de
“poetisa”, por achar que esse termo não tinha a mesma
conotação de “poeta” (usado para os homens), ao
contrário, soava até pejorativo. Por outro lado, Dilma
Rousseff exigia que a tratassem por “presidenta” para
enfatizar que quem ocupava o cargo de chefe da nação
brasileira era finalmente uma mulher.
(Adaptado de Francisco Jardes Nobre de Araújo, O machismo na linguagem.
Disponível em https://www.parabolablog.com.br/index.php/ blogs/o-machismo-
na-linguagem?fbclid=IwAR0n7sVvu2mNioWa1Gpp0BZL4TP6Uo-hGK7DKyltgIxk
d tRfoOaI6OEPCZE. Acessado em 05/06/2020.)
Segundo o autor de “O machismo na linguagem”,
Alternativas
- A)
o hábito de usar “o homem” para representar a
humanidade faz com que o feminino se torne um
gênero subalterno. - B)
a prática da designação do gênero feminino na língua
portuguesa leva ao fim do privilégio do masculino na
linguagem. - C)
o emprego de palavras no feminino evita o viés
machista e incentiva uma menor diferenciação entre os
gêneros. - D)
a escolha de algumas palavras para marcar o gênero
feminino pode se relacionar com a valorização social da
mulher.
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Perguntas frequentes
O que é androcentrismo na linguagem?
Androcentrismo na linguagem é a tendência de tomar o masculino como norma universal, como no uso de 'o homem' para significar 'ser humano' ou no emprego do masculino genérico para se referir a grupos mistos.
Qual a diferença entre 'poeta' e 'poetisa'?
Historicamente, 'poetisa' adquiriu uma conotação pejorativa e diminutiva, enquanto 'poeta' era reservado aos homens. Muitas escritoras passaram a reivindicar o termo 'poeta' para si como forma de igualdade.
Por que a palavra 'presidenta' é controversa?
A controvérsia surge porque alguns gramáticos consideram 'presidente' um substantivo comum de dois gêneros, enquanto outros defendem 'presidenta' como forma de marcar explicitamente o gênero feminino e valorizar a presença da mulher no cargo.
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